Jairo Chagas
Universitários de Medicina da UFTM saíram ontem às ruas para protestar contra as medidas que o governo federal está anunciando
Cerca de 150 pessoas, entre estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e residentes do Hospital de Clínicas, protagonizaram mobilização ontem que partiu do prédio do Centro Educacional e Administrativo (CEA) até o Conselho Regional de Medicina (CRM), no centro da cidade. A participação na manifestação, que faz parte do calendário de mobilizações estabelecido pela Federação Nacional de Medicina (Fenam) em vários estados, foi aprovada em recente assembleia realizada em Uberaba.
De acordo com o estudante do 6º ano de Medicina, Hernane Bahia Fernandes, este é o início de uma futura mobilização que a categoria pretende preparar em todo o Triângulo Mineiro, para isso já estão sendo feitos contatos com estudantes e residentes de Uniube, Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Unipac. Outra proposta aprovada pela categoria na região foi a adesão a três dias de greve, prevista para 23, 30 e 31, com manifestações nas ruas. “Os acadêmicos têm uma função muito importante dentro do hospital, mas vamos paralisar apenas nos serviços eletivos, ou seja, todas as consultas ou os procedimentos que podem ser prorrogados, sendo que os atendimentos de urgência e emergência permanecerão funcionando”, frisa.
Entre os motivos da mobilização, Fernandes destaca a estratégia do governo em projetar nos médicos a culpa de um sistema de saúde sucateado pela falta de investimentos. “O governo quer tornar a categoria médica a responsável pelas falhas no SUS. E como ele faz isso? Ele adota medidas populistas e eleitoreiras com a finalidade de atenuar a situação momentaneamente, mas que comprometerão o futuro da profissão. Quando o governo fala da importação de médicos estrangeiros, mas não prevê a revalidação dos diplomas, é porque está preocupado com números. Quando o governo fala que em dois ou três anos vai dobrar o número de vagas no curso de Medicina, ele quer dizer que não se importa com a necessidade de estruturar a rede criando mais centros terciários e proporcionar qualidade para expandir o atendimento médico. Ele se preocupa com número, porque são números que ganham votos”, ressalta.
Para o acadêmico, quando o governo impõe a um médico recém-formado que trabalhe dois anos no Sistema Único de Saúde, retira um importante direito popular, a liberdade para a própria escolha no exercício da profissão. Hernane Fernandes lembra ainda dos vetos no Ato Médico recém-sancionado pela presidente Dilma Rousseff: “Isso abre portas para o charlatanismo, desmoraliza a classe e deixa a sociedade mais fragilizada. Todas estas ações do governo que comprometem a categoria e colocam em risco a saúde pública são os motivos que levaram a Fenam a propor um calendário e são os motivos que nos levam a aderir a esse cronograma de movimentos”, completa o estudante.