Ensino médio no bairro é oferecido pelo Estado em dependências de escola municipal e, de acordo com a Superintendência, turmas foram fechadas devido a evasão
Jairo Chagas
Alunos do ensino médio da Escola Municipal Professora Ester Limírio Brigagão realizaram protesto no bairro na noite de segunda-feira
Alunos do 1º, 2º e 3º ano do ensino médio e das turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos), do período noturno, reclamam que remanejamento de estudantes - e consequente fechamento de salas - na Escola Municipal Professora Esther Limírio Brigagão, no bairro Residencial 2000, irá causar prejuízos ao ensino. A medida foi tomada pela Superintendência Regional de Ensino (SRE) em Uberaba a apenas três meses do fim do ano letivo. Insatisfeitos, estudantes realizaram ontem protesto na SRE.
A estudante do 1º ano Deanna Felix Silva, 16 anos, conta que na semana passada a escola recebeu inspetora que procedeu à investigação sobre alunos evadidos, faltosos e frequentes, perguntando aos próprios estudantes. Na sexta-feira (23), eles foram informados de que três das nove salas seriam fechadas e os alunos remanejados para as demais de acordo com a série. Com isso, Deanna afirma que os professores efetivos assumiram turmas em salas com até 49 alunos, o que trará prejuízos à educação. “Chega fim de semestre, todos os alunos matriculados, e que estão na lista de chamada, voltam para assistir aula. Então as salas vão ficar superlotadas, sendo que 50% não vão prestar atenção e como ficam os outros? Não vai ter como estudar, porque o professor não vai conseguir fazer 40 alunos prestarem atenção na aula. Sala lotada não significa qualidade na educação. Tinha pouca gente e estava bom assim, todo mundo conseguia aprender, porque o professor ia de carteira em carteira”, ressalta.
Segundo a estudante do 2º ano Lauriene Stefanie Lopes Pires, 17 anos, cerca de quatro professores foram demitidos, alguns pediram demissão e outros não descartam a possibilidade de também sair em razão da perda de horas/aula. Ela conta que muitos profissionais vêm de bairros distantes para dar aulas na escola. A maioria lesionava de 18 a 15 horas/aula por mês, com salário de cerca de R$1.500. Com o remanejamento, os que ficaram passarão a dar cerca de seis horas/aula com salários de R$600.
Os estudantes reclamam ainda que as turmas assistem às aulas em salas cedidas pela Prefeitura Municipal de Uberaba na Escola Municipal Professora Esther Limírio Brigagão, no bairro Residencial 2000. Isto porque há cerca de cinco anos aguardam a construção de uma escola estadual no bairro. O terreno já pertence ao Estado, funcionários chegaram a limpar o mato do local, mas a construção nunca foi iniciada. De acordo com departamento de obras da Superintendência Regional de Ensino em Uberaba, o Estado aguarda a liberação de recursos destinados à construção do prédio que deve ser liberado pelo Ministério da Educação, no entanto não há prazo definido para o repasse.
Na SRE, os estudantes foram atendidos pela inspetora da escola, Maria de Lourdes Feitosa Rocha, e pela coordenadora do Serviço de Inspeção da SER, Mariléia Prado Oliveira. “A legislação diz que de acordo com o nível de ensino há um número mínimo necessário para composição das turmas. Ou seja, de 1º ao 5º ano fundamental a turma deve ter 25 alunos; de 6º ao 9º ano, 35 alunos, e no ensino médio, 40 alunos. O que nós vimos lá na escola foram turmas com nove alunos frequentes, uma com 13 e outra com 20. Somados, daria no máximo duas turmas e era impossível continuar como estava”, explica Maria de Lourdes. A inspetora fará uma nova visita à escola hoje, às 14h, para verificar as demais reclamações dos alunos.