LEVANTAMENTO

Estupro de vulnerável soma 135 casos em Uberaba e acende alerta para famílias

Juiz afirma que internet tem sido usada por abusadores e defende diálogo sobre segurança digital

Joanna Prata
Publicado em 24/05/2026 às 15:16
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O cenário é visto com preocupação pela Vara da Infância e Juventude, que atua em ações preventivas por meio do projeto Justiça nas Escolas (Foto/Divulgação)

O cenário é visto com preocupação pela Vara da Infância e Juventude, que atua em ações preventivas por meio do projeto Justiça nas Escolas (Foto/Divulgação)

Uberaba registrou 135 casos de estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes menores de 14 anos entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, segundo levantamento baseado em boletins de ocorrência da Polícia Civil. O cenário é visto com preocupação pela Vara da Infância e Juventude, que atua em ações preventivas por meio do projeto Justiça nas Escolas. Diante do avanço dos casos, especialmente envolvendo a internet e pessoas próximas das vítimas, o juiz Marcelo Lemos e a integrante do projeto, Mara Denise Soares, reforçam a importância do diálogo familiar, do acompanhamento da vida digital dos filhos e da atenção aos sinais apresentados pelas crianças. 

Os dados estaduais mostram que Minas Gerais contabilizou 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável em um ano. Em mais da metade dos casos, o agressor fazia parte do círculo familiar ou de confiança da vítima. Já entre janeiro e o início de abril deste ano, o estado registrou cerca de 9,3 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes pelo Disque 100, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ficando atrás apenas de São Paulo no país. Especialistas alertam ainda para a subnotificação, considerada alta nesse tipo de crime 

Segundo Marcelo Lemos, a internet passou a ser um dos principais meios utilizados por abusadores para se aproximarem das vítimas. “Muitos desses fatos, dessas violências contra as nossas crianças, estão ocorrendo por meio da internet”, afirma em entrevista ao Pingo do J na Rádio JM. O juiz orienta que os responsáveis acompanhem o conteúdo acessado pelos filhos, controlem o tempo de tela e mantenham diálogo constante sobre segurança digital e relações pessoais. 

O magistrado também defende que famílias e escolas superem o receio de tratar sobre educação sexual de forma adequada para cada faixa etária. “Nós estamos tratando de educação sexual, não de incentivo ao sexo. Se isso não for bem trabalhado, outras pessoas podem ensinar de forma distorcida e até explorar essas crianças”, ressalta. 
 
Mara Soares afirma que ainda existe resistência de parte das famílias em relação ao tema, apesar do acesso cada vez mais precoce das crianças a conteúdos da internet. Segundo ela, muitos adolescentes procuram os profissionais após as palestras para tirar dúvidas sobre sexualidade e relacionamentos.  

Entre os principais sinais de alerta, Mara destaca mudanças bruscas de comportamento, isolamento, agressividade, queda no rendimento escolar, ansiedade, depressão e automutilação. “A criança pode ficar introspectiva, nervosa, destruir brinquedos. Já os adolescentes muitas vezes apresentam ansiedade, síndrome do pânico e tentam esconder sinais de automutilação”, explica. 

Outro ponto de atenção, segundo o juiz, é que a maioria dos abusos acontece dentro do próprio ambiente familiar ou entre pessoas próximas da vítima. “Mais de 70% dos estupros de vulnerável acontecem no ambiente familiar ou com pessoas do relacionamento da criança”, afirma. Ele alerta ainda para os riscos quando familiares desacreditam os relatos das vítimas, permitindo que a violência continue acontecendo. 

As ações do projeto Justiça nas Escolas incluem orientações para alunos, professores e pais sobre prevenção, identificação de sinais e proteção das crianças. Para os especialistas, fortalecer o diálogo dentro de casa continua sendo uma das principais formas de prevenção.

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