Novas denúncias de negligência na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro São Benedito chegaram ao Jornal da Manhã. Família acusa equipe médica de manipular medicação de forma exagerada, o que resultou na morte de paciente. Gilberto José Barreto, que passava por problemas psicológicos, morreu na unidade minutos depois da aplicação de calmante ministrada por um médico.
Em menos de um mês, este é segundo caso que chega ao Jornal da Manhã em que a família faz denúncia contra o atendimento na UPA São Benedito. No fim do mês de fevereiro, no dia 26, morreu um jovem de 16 anos por conta de apendicite supurada. A mãe afirma que houve erro no diagnóstico. Já neste caso a família de Gilberto acusa os médicos de terem aplicado os medicamentos de forma indevida.
A assistente administrativa Aline Borges, prima da vítima, conta que Gilberto, apesar de ter problemas psicológicos, sempre teve “uma saúde de ferro”, os médicos que o acompanhavam não diziam que a doença dele era um caso fatal, que poderia levar à morte. “Ele estava em tratamento e, fora das crises, era uma pessoa normal. Mas foi justamente durante uma dessas crises que o fato aconteceu. Na noite de sábado, os vizinhos ligaram para o meu pai pedindo que socorresse o Gilberto, ele estava bastante conturbado e precisava de ajuda. Fomos até o local e acionamos o Samu, minutos depois chegou uma ambulância, mas era apenas um veículo de transporte, o próprio motorista achou melhor esperar uma ambulância do Samu”, explica Aline.
Já na UPA, a prima de Gilberto conta que os médicos aplicaram medicamento para acalmá-lo, pois estava muito agitado. Entretanto, 20 minutos depois, o quadro continuava o mesmo, o calmante não havia feito efeito ainda, e um dos médicos aplicou outro medicamento. “Nesse momento, o médico disse que iria aplicar um ‘sossega-leão’ nele. O que de fato aconteceu, pois antes mesmo de a enfermeira tirar a seringa meu primo já havia dormido. Meu pai, que estava acompanhando o Gilberto, se surpreendeu com a agilidade. Porém, minutos depois, ele já não estava mais respirando, tentaram reanimá-lo, mas foi em vão”, explica.
Diante da situação, a família ficou indignada, pois em nenhum momento os médicos informaram aos acompanhantes o que estava sento aplicado e nem mesmo perguntaram se Gilberto tinha alergia a algum medicamento. Além disso, questionam também o curto prazo em que foi aplicado um remédio tão forte.