Setor diz que dificuldade para atrair trabalhadores, sobretudo jovens, já impacta o custo das obras e acende alerta sobre acesso à moradia
A construção civil enfrenta um dos seus principais desafios em Uberaba: a escassez de mão de obra. Apesar de oferecer um dos maiores salários de admissão entre os setores da economia, o segmento tem dificuldade para atrair trabalhadores, especialmente os mais jovens, o que tem impactado diretamente os custos das obras e, consequentemente, o preço final dos imóveis.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Pedro Henrique Araújo Amui, o cenário não é exclusivo da cidade, mas reflexo de um contexto nacional. “Hoje o Brasil tem uma taxa de desocupação em torno de 5,1%, em Uberaba esse índice gira em torno de 5%. É um nível muito baixo, o que significa que falta gente disponível para trabalhar em vários setores, não só na construção civil”, explica.
De acordo com ele, mesmo com remuneração competitiva, muitos trabalhadores optam por outras atividades. “A construção civil hoje tem o segundo maior salário de admissão entre os setores, mas ainda assim não conseguimos atrair jovens. Muitos preferem trabalhar com aplicativos ou em outras áreas, que exigem menos esforço físico”, afirma.
A dificuldade de reposição da mão de obra tem provocado aumento constante nos custos do setor. “Hoje, o principal desafio da construção civil é a mão de obra. Ela cresce em valores de forma exponencial, e isso impacta diretamente no valor do imóvel”, destaca Amui.
Além disso, discussões nacionais, como a possível redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, também preocupam o setor. Estudos apontam que uma eventual diminuição da carga horária pode elevar ainda mais os custos. “Se a jornada cair para 40 horas semanais, o valor dos imóveis pode subir cerca de 5,5%. Se for para 36 horas, esse aumento pode chegar a 11%, o que pode tirar milhões de pessoas da possibilidade de financiar um imóvel”, explica.
Diante desse cenário, o Sinduscon tem apostado na qualificação da mão de obra já existente como alternativa para aumentar a produtividade. “Está difícil atrair novos trabalhadores, então precisamos capacitar quem já está no setor e investir em novos modelos construtivos para ganhar eficiência”, pontua o presidente.
Apesar dos desafios, a construção civil segue como um dos pilares da economia local, com forte impacto na geração de empregos e no desenvolvimento urbano. No entanto, o equilíbrio entre custos, mão de obra e acesso à moradia deve continuar no centro dos debates do setor nos próximos anos.