Em posse do endereço onde foi erguida a barraca, a reportagem se dirigiu até a rua 20, número 248, para encontrar a mãe do garoto
Em meio a dezenas de crianças jogando bola e correndo atrás de pipas no Residencial 2000, eis que um menino franzino, queimado pelo sol e com os pés descalços, abordou a reportagem do Jornal da Manhã para contar o caso de uma mulher que havia sido despejada da sua casa, na rua 21 daquele bairro.
Durante o diálogo, o garoto de 10 anos contou que se tratava da sua mãe. “Estamos morando em um barraco de lona. É muito ruim. As coisas molham, está tudo apodrecendo. Eu não quero mais morar em barraca de lona”, disse, lamentando a triste situação vivida por ele, a mãe, de 41 anos, e seus dois irmãos – um adolescente de 14 anos e uma menina de apenas oito.
Em posse do endereço onde foi erguida a barraca, a reportagem se dirigiu até a rua 20, número 248, para encontrar a mãe do garoto. Trata-se da desempregada Maria de Fátima. Segundo ela, como é ilegal morar de aluguel em casas da Cohagra, ela acabou sendo despejada. Aliado a isso, o pagamento do aluguel já estava atrasado, o que forçou ainda mais sua saída. “Montamos essa barraca no quintal de uma amiga. Fomos despejados pelo oficial de Justiça, que ameaçou apreender nossas coisas. Estamos há um mês embaixo da lona, no frio, na chuva, no sol.”
De acordo com Maria de Fátima, ela não possui cadastro na Cohagra para conseguir uma residência própria. “Não sei mais o que fazer. Estamos dormindo todos juntos. Está fazendo muito frio e eles [as crianças] reclamam muito, principalmente a menorzinha. Eu a cubro, mas não tem jeito de fazer mais nada”, conta, lamentando a própria sorte.
No inicio da tarde de ontem, a reportagem tentou localizar o presidente da Cohagra, Paulo Fernando Rocha Ventura, para falar sobre o caso e se haveria alguma possibilidade de ajudar a família. No entanto, até o fechamento desta edição ele não havia sido localizado.