ABSURDO

Família relata demora no Samu e espera de quatro dias por cirurgia após acidente em Uberaba

Cistrisul diz que ambulâncias estavam ocupadas, enquanto HC-UFTM atribui adiamento do procedimento à alta demanda de urgências

Débora Meira
Publicado em 28/10/2026 às 10:45
Compartilhar

(Foto/Reprodução)

Uma família denuncia demora no atendimento do SAMU e na realização de uma cirurgia após um acidente entre duas motocicletas em Uberaba. Segundo a mãe de um homem de 28 anos, o socorro não chegou após três a quatro ligações feitas ao serviço durante cerca de uma hora e meia, e os familiares precisaram levar o paciente por conta própria. Já internado no Hospital de Clínicas da UFTM (HC-UFTM), ele teve o procedimento cirúrgico adiado, conforme o relato da família. O Cistrisul informou que todas as ambulâncias compatíveis estavam ocupadas no momento do chamado, enquanto o HC-UFTM atribuiu a espera pela cirurgia ao aumento da demanda por procedimentos de urgência e emergência e confirmou que o paciente foi submetido à operação na tarde de terça-feira (27). 

O acidente aconteceu na sexta-feira (23), na Rua Rogério Batista, no bairro Irmãos Soares. A mãe afirma que o filho ficou ferido e com o braço lesionado, mas a ambulância não chegou após as tentativas de contato com o serviço. “Foi ligado para o SAMU, nós ligamos três, quatro vezes durante uma hora e meia e nada do SAMU aparecer”, relata. 

Diante da espera, os familiares colocaram o homem no carro e o levaram para receber atendimento. Segundo a mãe, a primeira unidade procurada orientou que ele fosse encaminhado à UPA do São Benedito, onde teria sido atendido rapidamente. Ela afirma que o médico considerou o caso de extrema urgência e que o paciente foi transferido para o HC-UFTM. 

Em nota, o Cistrisul informou que a Central de Regulação de Urgências recebeu a solicitação de atendimento às 21h42 de sexta-feira (23). Naquele momento, todas as unidades de suporte compatíveis com o perfil inicial da ocorrência estavam empenhadas em outros atendimentos. 

Segundo o consórcio, a solicitação foi classificada pela Regulação Médica como Código Amarelo, com base nas informações repassadas pela solicitante, de que as vítimas estavam conscientes e orientadas. 

Assim que houve disponibilidade de uma viatura compatível, a equipe foi acionada às 22h24 e chegou ao endereço às 22h34. No local, os profissionais constataram que as vítimas e os veículos já não estavam presentes. 

A Central de Regulação tentou contato telefônico com a solicitante para obter informações sobre o estado clínico e o paradeiro da vítima. Como o paciente já havia sido transportado por meios próprios, a ocorrência foi encerrada. 

O Cistrisul ressaltou que a priorização dos recursos assistenciais considera a gravidade das informações clínicas disponíveis e a disponibilidade operacional das unidades no momento de cada solicitação. 

O paciente sofreu uma fratura no braço e um ferimento em um dos dedos. De acordo com a família, a cirurgia estava prevista inicialmente para sábado (24), mas foi adiada. O procedimento também não teria sido realizado no domingo (25), prolongando a espera. “Está desde sexta-feira para ele fazer essa cirurgia e até agora nada”, relata a mãe. 

Ela também contou que, após a chegada ao HC-UFTM, o paciente precisou aguardar dentro da ambulância antes de seguir os procedimentos de entrada na unidade. “Chegando lá no Hospital-Escola, teve todo o trâmite, né, eles tiveram que esperar dentro da ambulância, sacar de volta, essas coisas todas. Aí fez ficha, e isso e aquilo”, afirma. 

Como o filho tem 28 anos, a mãe relata que inicialmente não poderia acompanhá-lo durante a internação, mas que a enfermeira-chefe autorizou sua entrada. A família também questiona a demora na troca de um acesso venoso utilizado para administrar medicamentos contra a dor. Segundo a mãe, o paciente aguardou desde as 11h por atendimento, e a troca ocorreu cerca de 40 minutos depois. 

Ela afirma ainda que o filho permaneceu sem comer ou beber água enquanto aguardava a cirurgia, situação que se prolongou com os adiamentos. “Então, a pessoa já fica ali num corredor, numa maca, ainda fica sem comer, sem poder beber água. É complicado”, disse. 

Em nota, o HC-UFTM informou que o paciente estava sendo submetido ao procedimento cirúrgico na tarde de terça-feira (27). A instituição atribuiu a espera ao aumento da demanda por cirurgias de urgência e emergência nas últimas semanas, relacionado ao crescimento de acidentes com traumas na região. 

Segundo o hospital, após a classificação de risco, alguns pacientes precisam aguardar a realização de procedimentos cirúrgicos. Durante esse período, recebem monitoramento e assistência constantes para que a espera não prejudique o quadro clínico. 

O HC-UFTM acrescentou que medidas para contornar a sobrecarga estão sendo adotadas em conjunto com a gestão municipal. A instituição também reforçou o compromisso com uma assistência segura e humanizada, considerando a gravidade clínica e a prioridade assistencial de cada caso.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por