Relatos apontam espera prolongada mesmo em quadros graves; Prefeitura afirma que prioridade segue critérios previstos em portaria
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O Jornal da Manhã recebeu novas denúncias de protetoras independentes sobre a falta de vagas para atendimento veterinário de animais em situação de urgência e emergência em Uberaba. Segundo os relatos, ao procurarem a Superintendência de Bem-Estar Animal (SBEA) pelo WhatsApp, as responsáveis são informadas de que não há vagas disponíveis no momento. No caso da cadela Futrica, que aguarda atendimento desde o início de setembro e teve piora no quadro, a SBEA afirma que o protocolo foi registrado e que a solicitação aguarda atendimento conforme critérios técnicos, ordem das demandas, complexidade e disponibilidade do convênio com o Hospital Veterinário da Uniube (HVU). Veja também: Sem programa permanente, protetores ficam sem ajuda municipal para cuidar de animais A situação não é isolada. O JM já acompanhou outros casos de protetoras independentes que enfrentaram longos períodos de espera para conseguirem atendimento pela rede conveniada. Em alguns deles, os animais morreram antes de receber a assistência necessária. “Eu recebi o protocolo, mas ainda não chamaram. É a fila da morte”, relata uma protetora ao Jornal da Manhã durante um dos casos acompanhados pela reportagem. Um dos casos foi o da cadela Nina, resgatada em abril e que aguardava uma cirurgia para retirada de tumores. O atendimento chegou a ser marcado para agosto, mas o animal morreu três dias antes da consulta. Em setembro, outra protetora relatou dificuldades para conseguir uma vaga para uma cadela atropelada, que sofreu fratura na pelve. Enquanto aguardava atendimento pela rede conveniada, ela precisou custear consultas, exames e tratamento em uma clínica particular. As despesas chegaram a R$ 3,2 mil. Também em setembro, o JM acompanhou o caso de uma cadela com tumor, infecção e perda dos movimentos das pernas que aguardava atendimento. A família relatou dificuldades financeiras para arcar com o procedimento de forma particular. Segundo a denúncia recebida pela reportagem, Futrica está na fila de atendimento desde o início de setembro. O protetor afirma que o quadro clínico da cadela piorou durante o período de espera. O protocolo foi registrado em 10 de setembro. Questionada sobre a situação, a SBEA confirmou o registro e informou que o caso permanece aguardando atendimento. Em nota, a Superintendência afirmou que os atendimentos realizados por meio do convênio com o HVU seguem o fluxo estabelecido pela Portaria Interna nº 01/2025, publicada no Porta-Voz nº 2767, de 9 de setembro de 2025. “A solicitação aguarda atendimento, conforme os critérios técnicos, a ordem das demandas, a complexidade dos casos e a disponibilidade prevista no convênio com o Hospital Veterinário da Uniube (HVU)”, informa a SBEA. A Superintendência também explicou que a normativa estabelece uma ordem de prioridade para os atendimentos. “A normativa estabelece ordem de prioridade para os atendimentos de animais errantes, sem tutores ou protetores. Em seguida, são considerados animais de tutores inscritos no CadÚnico, de organizações não governamentais (ONGs) e, por fim, de tutores ou protetores independentes, observados os demais critérios previstos”, afirma.
Diante dos relatos de protetoras sobre a demora no atendimento, o Jornal da Manhã questionou a SBEA sobre quais critérios determinam a prioridade entre os animais que aguardam na fila e se essas regras são divulgadas de forma transparente. A reportagem também perguntou por que a piora relatada no quadro de Futrica ainda não teria sido suficiente para antecipar o atendimento e em quais situações um animal pode passar à frente de outros que aguardam na fila. A SBEA não respondeu especificamente a esses questionamentos até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação. Segundo o HVU, em relação aos atendimentos, a forma como são distribuídos, segue da mesma forma. " A prefeitura libera com avaliação prévia, e atendemos de acordo com o que é liberado. Independente da lotação do hospital, os animais liberados pela PMU são atendidos", ressalta. Leia também: Após atropelamento, gatinha morre e deixa dívida de tratamento para protetora em Uberaba