Filho de idoso que faleceu com dengue hemorrágica questiona atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento do bairro São Benedito. De acordo com pedreiro Flávio Fonseca Ribeiro, o pai apresentou os primeiros sintomas da doença no dia 1° de fevereiro, mas só foi feito o teste rápido no dia 4 do mesmo mês, quando ele já estava com graves hemorragias, expelindo sangue pelo nariz e boca.
“No dia 1º de fevereiro levei meu pai até a UPA, ele disse que não estava se sentindo bem, e por conta da idade dele [72 anos], qualquer sintoma já ficamos preocupados. Na oportunidade foram feitos exames de sangue, eletrocardiograma e tórax, mas, segundo os médicos, estava tudo certo. Na madrugada do dia 2, com dores no corpo, meu pai voltou à UPA, receitaram alguns medicamentos, e ele retornou para casa. Já no dia 4, por volta de 18h, ele passou muito mal, vomitando e escorrendo sangue pelo nariz, e com muita dor no corpo, de forma que ele não conseguia levantar da cama, uma ambulância teve de buscá-lo”, explica Flávio.
Na UPA, o pai de Flávio foi internado diante do quadro de hemorragia. Fato que voltou a se repetir durante a madrugada, momento em que o filho chamou as enfermeiras para que o socorresse. “Somente neste momento foi que fizeram o teste rápido para dengue. Depois de todos os fatos, precisou meu pai sangrar mais uma vez para fazer o teste, que deu positivo. E ainda ouvi a enfermeira dizer para uma colega sobre o preço deste exame, dando a entender que era caro demais e, por isso, o município estava regrando aos pacientes”, afirma o pedreiro, ressaltando que logo em seguida o pai foi levado ao Hospital de Clínicas, não resistiu e morreu no dia 9 de fevereiro, sábado passado.
Com o prontuário em mãos, o diretor de Atenção Especializada, Hector Luiz Coraspe, revela que quando o pai de Flávio foi atendido pela primeira vez, no dia 1° de fevereiro, o quadro não era sugestivo de dengue e sim de uma reação alérgica, não apresentou sintomas como febre, dor de cabeça e muscular, típicos de casos de dengue. Já no dia 4, o diretor revela que neste momento os sintomas eram outros, com febre muito alta, quando foi levantada a suspeita.
Portanto, assim que foi diagnosticado como caso de dengue, de acordo com o diretor, o paciente foi medicado e, diante da gravidade, foi encaminhado ao Hospital de Clínicas. E ele garante que foi adotado todo o procedimento pela unidade, conforme o determinado.