Cerca de 250 funcionários do frigorífico Boi Bravo estão sem receber o 13º salário referente a 2008, além dos meses de janeiro e fevereiro deste ano. O atraso no pagamento gerou manifestação na porta da empresa no início da semana, e ontem doze funcionários se recusaram a trabalhar.
Situação crítica foi externada ao Jornal da Manhã por um funcionário da empresa, que pediu para ter sua identidade preservada. Segundo ele, a direção do frigorífico não justifica a razão do atraso, como também não sinaliza a data provável para o acerto. “Há várias semanas prometem o pagamento para determinado dia e quando chega, simplesmente não pagam. Vão rolando com a barriga, e a Gerência Regional do Trabalho não toma nenhuma providência”, afirma. No sábado passado (21), a empresa pagou um vale de R$ 150, mas não informou se o valor será descontado do 13º ou dos meses em aberto de 2009. Só para ele a empresa deve R$ 2.500.
O salário atrasado não é o único problema enfrentado pelos funcionários do frigorífico Boi Bravo. Em retaliação ao protesto na última segunda-feira (23), ocorrido entre 6h e 9h30, a empresa anunciou a demissão de funcionários, que a fonte da reportagem não soube quantificar. “Participaram cerca de 30 pessoas, sendo que algumas retornaram ao abate naquele dia após a manifestação”, diz o funcionário, que está entre os demitidos.
De acordo com suas afirmações, existe muito descaso por parte dos dirigentes em conversar com os funcionários, que passam por sérias dificuldades. Devido aos frequentes atrasos, alguns trabalhadores que pagam aluguel já tiveram a devolução dos imóveis solicitada pelos proprietários e não têm para onde ir. No relato repassado pela fonte, as irregularidades trabalhistas do frigorífico expõem a totalidade dos funcionários a uma situação de penúria. “Nenhum dos trabalhadores tem Fundo de Garantia depositado e os que precisam se afastar pelo INSS não conseguem por causa das dívidas da empresa para com o instituto”, afirma.
Contato. Procurado pela reportagem ontem, o empresário Romeu da Costa Teles, proprietário do frigorífico Boi Bravo, não foi localizado. Na empresa, informações apontavam para compromissos externos, tendo o empresário efetuado uma rápida passagem no início da tarde. As funcionárias Andréa e Patrícia, citadas como responsáveis pelo setor de pagamento, também não estavam na empresa para falar sobre o assunto.
Providências O coordenador da Gerência Regional do Trabalho, Getúlio Ferreira Furtado, admitiu ao JM ter conhecimento do atraso nos salários e 13º dos funcionários do frigorífico. Ele afirmou que o órgão está tentando negociar o pagamento, cujo prazo expira na próxima segunda-feira (2 de março).
Caso a empresa não efetue o pagamento, será multada, com posterior notificação feita ao Ministério Público do Trabalho, conforme explica Getúlio Furtado. Caberá à Justiça do Trabalho determinar o arresto de bens e consequente leilão para equacionar as dívidas com o corpo funcional, sendo necessária a manifestação expressa dos empregados. Os profissionais que não desejam permanecer na empresa podem, de acordo com o coordenador da Gerência, requerer a rescisão indireta do contrato de trabalho, que, nesta situação, garante o pagamento total dos direitos, como se o empregado tivesse sido demitido.