Cerca de 50 funcionários da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) em Uberaba e região iniciaram paralisação nesta segunda-feira (25). A principal reivindicação da categoria, representada pelo Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro-MG), é a oferta de mais segurança aos oito mil trabalhadores da empresa e que prestam serviço a ela.
De acordo com o representante de Uberaba, Samuel Antônio Chaves, um dos 87 diretores do Sindieletro de Minas Gerais, outros 70 funcionários da companhia em Uberlândia também estão parados e só voltarão a trabalhar quando a Cemig abrir canal de diálogo para discutir a pauta de reivindicação com os trabalhadores. “Estamos entrando em greve por nossa data-base, que venceu no fim de outubro, mas a empresa se nega a discutir as nossas reivindicações. Simplesmente falou que daria a inflação acumulada do período, que é 5,45%. Queremos não só um aumento real de salário, mas estamos buscando, principalmente, qualidade melhor de trabalho para os funcionários. Queremos o diálogo com a empresa para que possamos acabar com as mortes e os acidentes graves que vêm acontecendo. Estamos com uma morte a cada 45 dias na Cemig e para cada morte há muitos companheiros mutilados”, destaca.
Chaves ressalta que o pedido da categoria é de um reajuste de 6% a mais que inflação acumulada do ano, mas, ainda dentro das reivindicações, a categoria considera mais importante, até mesmo que o próprio aumento, a necessidade de mais investimentos em saúde e segurança do trabalhador. “Pedimos o fim das terceirizações, porque ocasionam muitas mortes dentro da empresa por pressionar cada vez mais o trabalhador para que ele produza mais. Quanto mais se pressiona o trabalhador por produção, mais acidentes acontecem. E tudo isso pra quê? Na verdade, no ano passado a Cemig teve R$4,5 bilhões de lucro, o maior da história da empresa, enquanto sofremos com a falta de material para trabalhar. Inclusive, também queremos discutir a participação nos lucros, pois a empresa beneficia somente aqueles com altos salários e tira da categoria. Ou seja, ela não dá uma participação igual, e sim proporcional”, afirma o diretor.
A reportagem entrou em contato com a Cemig, que informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que, considerando o momento atual do setor elétrico nacional, que foi impactado pela MP 579, de setembro de 2012, e a Sentença Normativa que regula as relações trabalhistas, as negociações com os diversos sindicatos que representam seus empregados seguem em curso normal. A empresa afirma que alguns sindicatos já aceitaram a proposta feita pela empresa, se comprometendo a assinar o acordo.
Ainda conforme nota oficial, a Cemig afirma que os sindicatos que ainda não aceitaram a proposta convocaram os empregados para uma paralisação. “Apesar de um pequeno número de empregados terem aderido a essa paralisação, os serviços continuam sendo prestados a todos os clientes da empresa, sem comprometer o fornecimento de energia e o atendimento. A Cemig ressalta que a proposta feita aos empregados repõe as perdas salariais provocadas pela inflação nos últimos meses, mantendo o poder de compra dos salários dos empregados, além de oferecer uma das melhores propostas de Participação nos Lucros e Resultados do setor elétrico nacional”, posicionou a companhia.