A inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) registrou sua terceira aceleração consecutiva, para 0,80%, segundo dados divulgados ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A taxa é a maior desde a terceira semana de junho de 2008, quando o índice subiu 0,89%. Os custos com a educação, influenciados, principalmente, pelo reajuste das mensalidades escolares, tiveram forte peso sobre o indicador. A taxa do grupo ficou em 2,57%, ante 1,83% na semana anterior. Em Uberaba, as escolas particulares reajustaram as mensalidades entre sete e 10%, conforme Associação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Uberaba. De acordo com o presidente da Associação, professor Carlos Godoy, a crise econômica não influenciou diretamente no reajuste das mensalidades dos colégios, mas a inadimplência é o que mais preocupa. “Algumas escolas na cidade já registram índice de 40% de inadimplência”, destaca Godoy. Além da mensalidade das escolas, os materiais escolares estão de cinco a 15% mais caros nas prateleiras em relação ao mesmo período do ano passado. O preço de algumas listas de materiais chega à R$ 1.200, segundo o proprietário de papelaria e livraria Paulo Roberto Mangucci. Os livros, em média 20% mais caros que em janeiro de 2008, representam a maior alta nas listas. “Numa lista de colégio particular que chega a pouco mais R$ 1 mil, pelo menos R$ 800 vão apenas para os livros didáticos”, afirma Mangucci. Os itens importados, devido à alta do dólar, chegaram às prateleiras 30% mais caros em relação ao mesmo período do ano passado. “O dólar no início de 2007 estava a R$ 1,6 e agora R$ 2,3, ou seja, não teria como segurarmos o preço. Mas os pais não precisam se desesperar, pois a maioria dos itens da lista é produzida no país. Os importados são na maioria itens de escritório, como tonner, fitas para impressora, cartuchos, entre outros”, afirma Kleiton Elias, gerente de papelaria. Transporte. As vans escolares também costumam reajustar o valor das mensalidades no início do ano. Segundo a empresária Célia Maria Rodrigues, que conta com três veículos de transporte escolar, cada um com capacidade para 16 pessoas, os contratos permitem reajustes durante o ano, diante de altas do diesel e do salário mínimo. Entretanto, muitos optam por um único aumento, antes do início das aulas. “Esse ano reajustei em R$ 5 a mensalidade, passando de R$ 70 para R$ 75. Mas o preço varia conforme a roteiro que a van percorre. Meu marido, por exemplo, faz um percurso maior para buscar e deixar os alunos no destino, nesse caso a mensalidade é R$ 85”, explica Célia.