Questionário do Instituto Ápice também abordou uberabenses para saber a avaliação atual do governo Dilma Rousseff (PT). Assim como nas pesquisas realizadas em âmbito nacional, o levantamento local apontou uma queda drástica na aprovação da petista após as manifestações realizadas em todo o país contra o mau uso dos recursos públicos.
Pesquisa realizada em abril deste ano mostrava Dilma com 67% de avaliação ótima e boa por parte dos uberabenses. O índice caiu quase quarenta pontos percentuais e está agora em 26%. No comparativo entre os levantamentos, observa-se que as respostas migraram diretamente para avaliação ruim e péssima, que pulou de 7% para 36%.
O governo é considerado regular por 36% dos entrevistados agora, enquanto na pesquisa anterior o índice era de 24%. Somente 2% das pessoas questionadas não opinaram.
O coordenador do Instituto Ápice, Luiz Cláudio Campos, salienta que os números mostram o reflexo dos manifestos que evidenciaram a insatisfação popular com a corrupção e o mau uso dos recursos públicos. Segundo ele, houve falta de sensibilidade da inteligência política para perceber a crise que já se instalava nas redes sociais e tomar medidas preventivas para evitar o desgaste. “A retirada do projeto da cura gay e outras atitudes do Congresso Nacional, como a rejeição da PEC 37 e a aprovação dos royalties do pré-sal para a Educação e Saúde, foram pautadas por causa dos protestos. Por que não feito antes?”, salienta.
Questionado se a baixa aprovação pode representar também a derrota de Dilma nas urnas em 2014, Luiz Cláudio analisa que ainda é cedo para analisar se os eventos vão interferir no resultado das eleições presidenciais.
Por outro lado, o coordenador da pesquisa salienta que os dados podem sinalizar uma mudança na conduta do eleitorado, inclusive com mais critérios para avaliar a ficha dos candidatos. “Quem tem esqueletos no passado ou está com o nome envolvido em polêmicas terá mais dificuldade para construir uma trajetória política”, acrescenta.
A análise leva em consideração outra pergunta realizada na pesquisa. O Instituto questionou se os uberabenses acreditavam que a corrupção poderia diminuir ou acabar no Brasil. Dos entrevistados, 55% declararam que a situação não vai mudar. “Penso que esse resultado seria muito maior em outros momentos, mas agora existe uma compreensão de mudança. Até mesmo por causa dos resultados práticos obtidos com as manifestações país. Ao todo, 43% das pessoas consultadas mostram uma esperança de mudança”, argumenta.
Nesse item, 35% dos uberabenses posicionaram que a corrupção vai diminuir no país e 8% acreditam a prática será eliminada. Apenas 2% não se manifestaram sobre o tema.