Segundo histórico da paciente e nota emitida pelo médico plantonista, a senhora Agostinha Palhares Vieira, de 73 anos, precisa passar por uma cirurgia com urgência ou irá a óbito
Família teme pela morte de idosa internada na Unidade de Pronto-Atendimento do Parque do Mirante, que há uma semana aguarda transferência para o Hospital de Clínicas. Segundo histórico da paciente e nota emitida pelo médico plantonista, a senhora Agostinha Palhares Vieira, de 73 anos, precisa passar por uma cirurgia com urgência “ou irá a óbito neste serviço” por falta de atendimento. O quadro está cada vez mais grave e a família preocupada, pois não há previsões para que seja realizado o procedimento.
De acordo com a neta de Agostinha, Verônica Aparecida Vieira, na quinta-feira, dia 17 de outubro, a avó foi internada na UPA do Parque do Mirante por conta de uma ferida na virilha. O que não sabiam é que se tratava de uma bactéria e, caso não fosse feita uma cirurgia com urgência, esta poderia se alastrar pelo corpo, o que de fato aconteceu. Até o momento não há vaga disponível no Hospital de Clínicas, e o caso se agravou, outras feridas apareceram e a família está preocupada, pois as informações repassadas pelos médicos não são nada animadoras.
“Na segunda-feira, dia 21, o médico escreveu no histórico que o caso era grave, de extrema urgência, ou a paciente iria a óbito dentro da UPA por falta de atendimento. Mesmo assim, não houve nenhuma notícia para realizar a transferência, e o médico emitiu uma nota de esclarecimento, uma espécie de laudo, para que levássemos ao Ministério Público, pedindo a disponibilização de uma vaga com urgência”, explica Verônica. Ela ressalta que a avó é obesa e por conta da doença precisa ser instalada em um quarto especial, em maca resistente, e com isolamento.
A família também reclama das condições de atendimento na UPA. Verônica conta que são todos educados, mas as enfermeiras não têm o mesmo zelo com os pacientes. “Fiquei indignada, pois uma enfermeira disse para minha avó que ela iria morrer, e desde então ela não quer se alimentar e pediu para que aplicassem uma injeção matando logo, porque a morte era certa. Imagine só, como que uma pessoa diz isto para uma paciente em estado grave?!”, indigna-se Verônica, ressaltando que na unidade não há fraldas do tamanho da avó, por isso a família está comprando.
De acordo com nota encaminhada pela assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, a paciente é especial e realmente o caso é grave. A transferência para o Hospital de Clínicas foi realizada na tarde de ontem. A demora aconteceu porque o hospital teve que preparar a sala para receber a paciente, já que não pode ficar em um leito comum por causa da doença.
A secretaria garante que a UPA cuidou de forma zelosa e com carinho desta paciente, mas vão averiguar quem foi a enfermeira e apurar se tal atitude realmente aconteceu. Se confirmado, serão adotados os procedimentos necessários para que não se repita. No caso das fraldas, a secretaria assume que foi um erro de quem pediu para a família comprar, já que a unidade tem verba de reserva para esses imprevistos.