
Segundo o comandante, em abril de 2025 foram registrados quatro incêndios em vegetação (Foto/Divulgação)
O aumento dos incêndios em vegetação antes mesmo do auge da estiagem acendeu um alerta em Uberaba e reacendeu o debate sobre a falta de manutenção de terrenos e áreas urbanas na cidade. Dados apresentados pelo comandante do 8º Batalhão de Bombeiros Militar, Tenente-Coronel Josias Soares, mostram que o número de ocorrências disparou neste ano.
Segundo o comandante, em abril de 2025 foram registrados quatro incêndios em vegetação. Já no mesmo mês deste ano, o município contabilizou 22 ocorrências, aumento de 450%. “A projeção para 2026 já é desfavorável. A gente sabe que vai ter incêndio. O problema é que temos mais vegetação acumulada e a possibilidade do El Niño, com temperaturas mais altas, estiagem mais severa e ventos mais fortes”, afirma em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM.
De acordo com o comandante, as chuvas prolongadas deste ano favoreceram o crescimento acelerado da vegetação, aumentando a quantidade de material combustível espalhado pela cidade. “O mato cresceu mais e voltou a crescer rapidamente mesmo após manutenção. Isso exige um trabalho muito maior de limpeza e prevenção”, explica.
O cenário ocorre em meio ao aumento das reclamações sobre mato alto em bairros de Uberaba e à cobrança por fiscalização mais efetiva. Em março, o Jornal da Manhã mostrou que as autuações por falta de limpeza de calçadas e passeios começaram a crescer no Porta-Voz, após um início de ano marcado por defasagem nas notificações e acúmulo de processos antigos.
Já nesta semana, outra reportagem do JM abordou como terrenos abandonados e áreas de vegetação alta vêm ampliando a sensação de insegurança em diferentes regiões da cidade, principalmente em locais com pouca iluminação e baixa circulação de pessoas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, os terrenos sem manutenção também representam risco direto para a propagação de incêndios durante o período seco. O comandante afirma que as áreas vulneráveis já foram mapeadas e os relatórios encaminhados ao município. “A Prefeitura aciona o proprietário para que ele providencie a manutenção. Se isso não acontece, depois podem ser adotadas outras medidas”, explica.
Pelo Código de Posturas do Município, vegetação acima de 25 centímetros já pode gerar notificação ao proprietário. Ainda assim, moradores seguem relatando terrenos abandonados e matagais em diferentes bairros. “Tem lotes aí que têm anos e anos sem manutenção”, afirma Josias.
O comandante também destacou que o Corpo de Bombeiros pode realizar fiscalizações, emitir boletins de ocorrência e até acionar outros órgãos, como o Ministério Público, em casos recorrentes.
Outro fator que preocupa é a origem dos incêndios. Segundo o comandante, 99% das ocorrências têm ação humana, seja por queimadas para limpeza de terrenos, descarte irregular de lixo ou fogo colocado de forma criminosa. “Às vezes a pessoa acha que vai controlar, mas o vento espalha as brasas e o incêndio toma grandes proporções”, alerta.
O Corpo de Bombeiros reforça que o período mais crítico começa a partir do fim de junho e costuma se intensificar entre julho e setembro, quando aumentam os focos simultâneos de incêndio e a sobrecarga das equipes de combate.