Primata, conhecida pelos frequentadores da Mata do Ipê, estava sob cuidados veterinários após ser diagnosticada com diabetes e não apresentou recuperação após cirurgia
(Foto/Divulgação/HVU)
A macaca-prego Chica, conhecida pelos frequentadores da Mata do Ipê, em Uberaba, morreu na tarde desta quarta-feira (26), após apresentar um quadro grave de hiperglicemia associado à diabetes mellitus e à necrose de um dos membros. O animal estava internado no Hospital Veterinário da Universidade de Uberaba (HVU), onde passou por uma cirurgia para amputação do membro afetado.
Segundo o hospital, a equipe veterinária adotou imediatamente o protocolo indicado para o caso e realizou o procedimento na tentativa de preservar a vida da primata. Apesar dos cuidados, Chica não apresentou a recuperação esperada após a cirurgia.
Com a evolução do quadro e a ausência de resposta ao tratamento, a equipe avaliou que o animal permanecia em sofrimento. Diante disso, seguindo critérios técnicos e de bem-estar animal, foi realizada a eutanásia.
A história de Chica já vinha sendo acompanhada pelo Jornal da Manhã desde janeiro, quando a macaca foi resgatada debilitada na Mata do Ipê e encaminhada ao HVU. Na ocasião, apresentava magreza acentuada, desidratação e anemia, além de um quadro de pneumonia.
Após a recuperação do problema respiratório, exames complementares confirmaram que a primata tinha diabetes mellitus. O diagnóstico foi considerado incomum para um animal de vida livre e mudou os planos para o futuro de Chica, já que a doença exigia medicação diária, alimentação controlada e acompanhamento permanente.
A condição também impediu que ela fosse devolvida à natureza. Em março, após receber alta do hospital, Chica foi encaminhada para um mantenedouro de fauna silvestre autorizado, onde passou a viver em recinto adaptado e receber cuidados especializados.
O diagnóstico de diabetes de Chica também levou a um alerta de especialistas sobre os riscos de alimentar animais silvestres. Segundo o JM, uma das principais hipóteses para o desenvolvimento da doença era a alimentação inadequada oferecida por frequentadores da Mata do Ipê.
Em maio, quando ainda atuava na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o biólogo Paulo César Franco alertou ao Jornal da Manhã que alimentos oferecidos por pessoas podem provocar doenças, alterar o comportamento dos animais e até contribuir para a morte.
O especialista destacou que a Mata do Ipê oferece recursos naturais para a alimentação dos primatas e que a oferta de alimentos humanos pode fazer com que os animais percam o comportamento natural de busca por comida e se aproximem cada vez mais das pessoas.
O caso de Chica, portanto, termina após meses de tratamento e acompanhamento veterinário, mas também deixa um alerta sobre os impactos da interferência humana na alimentação e na saúde da fauna silvestre.