Manifestação de alunos e professores da escola estadual Quintiliano Jardim, prevista para hoje, não precisou acontecer. O intuito do protesto era realizar uma caminhada até a Superintendência Regional de Ensino (SRE), para demonstrar a insatisfação em relação à determinação para que fossem fechadas três turmas que não atingem o número suficiente de alunos exigidos pela Secretaria Estadual de Educação, situação que já foi revertida. Porém, as turmas em questão são compostas por alunos portadores de necessidades especiais, os quais requerem um tipo de atenção diferenciada.
Tal fechamento, segundo os manifestantes, iria prejudicar os alunos que, no meio do semestre, seriam remanejados para outra turma, que passaria a contar com mais de 50 alunos.
José Ronan Borges, diretor da escola, afirma que a Quintiliano Jardim é uma escola inclusiva. Segundo ele, a instituição atende alunos surdos, cegos e com outras deficiências. “Por isso, temos o direito de lidar com número menor de alunos, exigido pela legislação. Quando nos foi pedido para fechar tais turmas, entramos em contato com a SRE e a superintendente regional de Ensino, Vânia Célia Ferreira, pediu-nos para que fosse enviada uma justificativa. Isso foi feito e ontem recebemos a resposta positiva, permitindo que as turmas fossem mantidas”, explicou o diretor, lembrando que tal resposta só ocorreu após o acionamento da reportagem do Jornal da Manhã. “É uma vitória para todos. Se a sala tem muitos alunos, portadores de necessidades têm mais dificuldades para aprender”, completou.
Já a professora Patrícia Helena Borges Barbosa acredita que todo o movimento foi válido. Segundo ela, os alunos aprenderam que é preciso lutar pelos seus direitos. “Buscamos dar melhor qualidade de ensino. Mas, com salas muito cheias, fica mais difícil. Todos os alunos, sejam deficientes ou não, necessitam da nossa atenção”, declarou.
Por outro lado, o deficiente visual João Paulo de Oliveira, 26 anos, aluno do 3º ano, comemorou a vitória do grupo. “O mais importante é que a turma não será fechada. Agora é só estudar”, avaliou.