Médica agredida dentro da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro Abadia reforça a necessidade de melhorar a segurança no local. Preservando a sua identidade, a profissional relatou que qualquer pessoa tem acesso às alas da UPA, pois não existem travas de segurança e controle de quem entra ou sai da unidade. O incidente ocorreu no dia 15 de agosto, por volta de 11h30. Segundo a servidora que denunciou o caso, a Secretaria Municipal de Saúde estava tentando “abafar o caso”.
Segundo nota enviada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde, a médica foi agredida por uma paciente psiquiátrica, sendo que a mesma está internada no Sanatório Espírita de Uberaba. Sobre a segurança, a assessoria de imprensa informa que a pasta se preocupa constantemente com a questão nas duas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), sendo que existe um acordo com a Polícia Militar e a Guarda Municipal para priorizar chamados provenientes desses locais.
Afirma ainda que as duas UPAs são dotadas de travas eletrônicas nas portas para impedir o acesso de pessoas sem autorização às alas internas de atendimento. Assim, as pessoas na recepção não podem transitar para área onde estão os consultórios médicos. Contradizendo a denúncia do servidor público, as unidades possuem ainda portões eletrônicos para controle da entrada e saída no estabelecimento.
De acordo com a médica agredida, a secretaria está classificando a paciente como psiquiátrica. “Mas não existe nenhum laudo que prove que ela estava em surto psiquiátrico. Inclusive está internada no sanatório alegando ser esquizofrênica. Porém, não existe comprovação. Os médicos que presenciaram não justificam o surto de uma pessoa que tem esquizofrenia. Ela estava agressiva. Paciente esquizofrênico não age daquela forma. Ela usou da doença para se safar”, desabafa.
Segundo a médica, o secretario de Saúde, dr. Valdemar Hial, entrou em contato e mostrou-se solidário. Além disto, ficou de analisar com o prefeito a possibilidade de um segurança. “Será da Guarda Municipal, mas a população não respeita. A meu ver tem que ser um policial militar”, observa. Ela complementa que o ponto principal é a segurança. “Não é me mudar de setor, de pedir demissão, mas é rever a questão da segurança”, destaca. Ela reforça que está extremamente abalada e com dificuldades para dormir.
Invasão. Segundo a médica, a paciente invadiu o seu consultório por duas vezes. Ela estava atendendo um senhor que precisava fazer uma tomografia. Nas duas vezes em que a paciente tentou falar com a médica, ela se mostrou educada. “Perguntei o que ela queria. A paciente perguntou o meu nome e saiu. Quando saí para pegar o laudo da tomografia, ela gritou comigo. A paciente me disse que estava sendo paga para isso e que ela precisava ser atendida”, observa.
Segundo a médica, ela não respondeu às agressões verbais da paciente. “No entanto, ela deu uma ‘pesada’ na barriga, um soco na cara, bateu duas vezes a minha cabeça contra a parede, me pegou pelos cabelos, enrolou a mão dela nos meus cabelos e me puxou. Quando ela passou a mão próximo à minha orelha, ela pegou o meu brinco e rasgou a minha orelha. Então, não foi qualquer agressão, não foi qualquer tapinha”, relata, abalada, o ocorrido. Ela complementa que durante a agressão um acompanhante disse que “médico tem que levar na cara mesmo”.
A médica explica que tem provas, testemunhas e foi registrado um boletim de ocorrência. No entanto, reafirma que não quer processar ninguém, apenas que a Secretaria Municipal de Saúde melhore a parte de segurança para os funcionários da UPA Abadia.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde reforça as informações repassadas anteriormente sobre as medidas de segurança adotadas nas duas Unidades de Pronto-Atendimento e informa que o próprio secretário de Saúde, Valdemar Hial, entrou em contato por telefone com a médica, nesta sexta-feira (19), e ofereceu todo o apoio necessário, garantindo também verificar algumas situações para a segurança dos profissionais.
Ainda de acordo com a assessoria, a paciente deu entrada na UPA Abadia às 11h06 e logo seguiu para o atendimento, não havendo demora para a consulta.