Movimento protesta contra o programa “Mais Médicos” e vetos da presidente Dilma ao Ato Médico; categoria promete atos hoje e amanhã
Jairo Chagas
No último dia 16, alunos da UFTM realizaram passeata nas principais ruas protestando pelo mesmo motivo
Seguindo o calendário nacional de greve da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), a categoria em Uberaba também se prepara para as paralisações nesta terça e quarta-feira (30 e 31). Médicos, residentes e estudantes continuam a luta contra o programa "Mais Médicos" e os vetos à lei que regulamenta o exercício da Medicina.
De acordo com o estudante do 6º ano de Medicina Hernane Bahia Fernandes, grande parte do serviço clínico do Hospital de Clínicas da UFTM e profissionais de várias Unidades Básicas de Saúde do município aderiram ao movimento e irão paralisar o atendimento hoje e amanhã. “Estamos convidando a todos para se reunir na porta do Ambulatório Maria da Glória para um protesto silencioso nesta terça-feira. O serviço eletivo irá parar a partir de 8h. Uma grande manifestação está marcada para a quarta-feira (31), quando devemos sair da porta do hospital em torno das 16h novamente, mas o trajeto ainda não está definido. Todos os médicos têm o respaldo do Conselho Regional de Medicina (CRM) para paralisar”, afirma.
Fernandes destaca que os acadêmicos têm uma função importante dentro do Hospital de Clínicas e o objetivo é paralisar apenas os serviços eletivos, ou seja, todas as consultas ou os procedimentos que podem ser prorrogados, sem prejudicar o atendimento a urgências, emergências e os pacientes que permanecem internados nas enfermarias.
Entenda os motivos. O principal foco da mobilização é o programa Mais Médicos, anunciado pelo governo federal este ano como solução para o problema da Saúde no país. Primeiro, a categoria afirma que médicos estrangeiros são bem-vindos, desde que tenham seus diplomas validados e certificados pelo exame Revalida e passem por teste de proficiência na língua portuguesa. Segundo, a criação de mais vagas no curso de Medicina nas universidades brasileiras e para residência médica nos hospitais universitários é considerada uma proposta eleitoreira, já que não resolve o problema da falta de infraestrutura do SUS.
Terceiro, para a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), a proposta de transformar os dois anos adicionais de Medicina em residência médica não possui parâmetros para ser considerada uma especialização, a qual precisa de autorização e critérios rigorosos para funcionamento. Além disso, tornar essa residência um serviço obrigatório no Sistema Único de Saúde (SUS) fere a liberdade dos acadêmicos.
A categoria ainda pretende reverter os vetos ao Ato Médico recém-sancionado pela presidente Dilma Rousseff. “Isso abre portas para o charlatanismo, desmoraliza a classe e deixa a sociedade mais fragilizada. Todas estas ações do governo que comprometem a categoria e colocam em risco a saúde pública são os motivos que levaram a Fenam a propor um calendário de paralisações e que nos levam a aderir a esse cronograma de movimentos”, completa Hernane Bahia Fernandes.