
Os pedidos de medidas protetivas por violência doméstica saltaram de 447 para 1.302 em Uberaba nos últimos dez anos (Foto/Divulgação)
Os pedidos de medidas protetivas por violência doméstica saltaram de 447 para 1.302 em Uberaba nos últimos dez anos. O crescimento, segundo o juiz da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Fabiano Veronez, está diretamente ligado ao fortalecimento da rede de proteção e ao aumento da confiança das vítimas em buscar ajuda.
Apesar da alta expressiva nos registros, o magistrado avalia que os números não representam necessariamente um aumento proporcional da violência, mas sim maior procura pelos serviços de acolhimento e proteção. “O que eu tenho visto é o amadurecimento da rede. Pode até ter ocorrido aumento da violência, mas triplicar eu não acredito. O que houve foi fortalecimento da confiança das mulheres no sistema”, afirmou em entrevista à Rádio JM.
Segundo o juiz, um dos principais objetivos da atuação da rede em Uberaba é fazer com que mais mulheres procurem ajuda antes que a violência evolua para situações extremas. Para ele, o acolhimento e a agilidade nas respostas têm sido determinantes nesse processo. “É muito difícil romper o ciclo da violência. Isso só acontece quando a mulher confia nas instituições e sabe que existe uma rede de proteção que vai dar suporte”, destaca.
O magistrado também chamou atenção para um dado que considera simbólico ao longo dos anos de atuação na área. De acordo com ele, nenhum caso de feminicídio registrado em Uberaba envolveu mulher que estivesse inserida na rede de proteção ou que tivesse buscado ajuda anteriormente. “Se ela procura ajuda, ela não morre”, afirma.
Conforme o juiz, muitas vítimas chegam ao sistema fragilizadas emocionalmente, financeiramente e sob constantes ameaças dos agressores. Entre os relatos mais frequentes estão ameaças de morte, perda da guarda dos filhos e dependência econômica, fatores que dificultam o rompimento da violência e a formalização das denúncias.
Além das medidas protetivas, a rede de atendimento oferece suporte psicológico, assistência social, orientação jurídica, encaminhamento para programas de empregabilidade e, em casos mais graves, acolhimento em casas abrigo para mulheres e filhos.
Outro ponto destacado pelo magistrado foi a atuação integrada entre as instituições. Segundo ele, Uberaba consolidou um modelo baseado na articulação entre Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar, assistência social e sociedade civil. “Cada instituição é essencial dentro da sua área de atuação. O trabalho em rede precisa ser articulado e horizontalizado”, disse.
O juiz também ressaltou a importância da imprensa na divulgação dos serviços disponíveis e no fortalecimento da confiança das vítimas na rede de proteção. Para ele, dar visibilidade ao trabalho realizado contribui para que mais mulheres entendam que existe apoio disponível. “Mostrar o trabalho que está sendo feito fortalece essa rede e faz com que as mulheres acreditem que não estão sozinhas”, conclui.