Segundo levantamento, menos de cem municípios em Minas Gerais estão integrados ao Sistema Nacional de Trânsito
Confederação Nacional de Municípios (CNM), por meio do projeto Ação Municipalista, promove em Uberaba Seminário do Trânsit direitos e obrigações dos municípios com gestores mineiros. Segundo levantamento feito pela confederação, menos de cem municípios em Minas Gerais estão integrados ao Sistema Nacional de Trânsito, isto é, a maioria das cidades não está em dia com a legislação do Código de Trânsito Brasileiro.
De acordo com o consultor da CNM, Sérgio Luís Perotto, que foi o palestrante do seminário, diante da sua tradição, Minas Gerais deve estar sempre um passo à frente em relação aos demais estados, entretanto, há muito que avançar quanto à municipalização do trânsito. “Em 1998, há 15 anos, os municípios foram chamados para contribuir e para isso precisam se integrar ao Sistema Nacional de Trânsito. Em Minas, menos de 100 municípios estão incluídos, cumprindo as determinações da lei”, explica.
Diante desta realidade é que a confederação está realizando um trabalho para orientar gestores, no intuito de que passem a seguir as determinações da lei. Na região, o debate ganhou o apoio da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Rio Grande (Amvale). “Em cada cidade é preciso constituir um órgão de trânsito, uma junta administrativa para julgar recursos e trabalhar educação, sinalização e estatística de trânsito. Comprovando esse serviço, ele se integra ao Denatran”, orienta Sérgio.
O fato de não ter seguido as determinações da lei pode gerar problemas a estes municípios. Segundo Sérgio, os gestores de cada cidade respondem pela omissão. Não tendo legislação local que organize o setor de trânsito, ela está pecando por omissão é poderá ser penalizada. Um dos casos é uma ação civil pública ingressada pelo Ministério Público. “A municipalização do trânsito não é por opção, é obrigatória e estamos trabalhando para reverter esse caso”, explica Sérgio, ressaltando que, sem leis de trânsito em um município, infratores podem se livrar de penalizações, pois o Estado não pode interferir em assuntos que é de responsabilidade do município.
Questionado sobre os motivos pelos quais muitos municípios não aderiram ao sistema, Sérgio explica que em alguns casos é por conta de falta de conhecimento e em outros casos é pela falta de recursos. E neste sentido o secretário executivo da Amvale, Antônio Oliveira, revela que o Estado não está em dia com o repasse de recursos de multas que devem ser entregues aos municípios, haja vista que a maioria deles precisa do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Atualmente, 429 municípios de Minas não receberam os 50% de recursos de multas que o Estado deve repassar.