Secretaria de Saúde realizou ontem reinauguração da Farmácia de Acolhimento, unidade destinada ao atendimento a usuários de medicamentos de alto custo e por mandados judiciais, onde foram implementadas várias mudanças. A intenção, segundo o secretário de Saúde, Fahim Sawan, é realizar a distribuição dos medicamentos, conforme receita médica, sem que o paciente tenha de buscar na Justiça a liberação, isto é, pôr um fim na necessidade de se ter mandados judiciais.
Durante o momento em que estavam sendo apresentadas as mudanças, uma usuária, como de costume, apareceu para buscar os medicamentos. A secretária Márcia Helena Pereira vai todos os meses até a farmácia buscar medicamento para o filho - que sofre de neuropatia cerebral -, que custa no mercado algo em torno de R$1 mil. “Desta vez consegui levar todos os remédios, dos quais ele não pode ficar sem, caso contrário tem crises nervosas”, explica Márcia.
A intenção é que isto se repita com qualquer pessoa que vá em busca de medicamentos na Farmácia de Acolhimento. “O maior sofrimento de uma pessoa é ter uma indicação de tratamento e não conseguir o medicamento. A abertura da Farmácia de Acolhimento é para saber quais são as demandas dos usuários, criar um fluxo de recebimentos dos remédios continuados, onde os gerentes das unidades vão orientar esse paciente, pois em alguns casos é possível buscar o remédio na Farmácia Básica. Mas se lá não atender, as pessoas podem vir à Farmácia de Acolhimento, das 7h às 19h, repassar a situação, que vamos adquirir o medicamento que ela precisa, sendo no Estado, na Farmácia Popular ou excepcional”, explica Fahim.
O secretário ressalta ainda que o diferencial a partir de agora é que foi formada equipe treinada para dar o atendimento correto, sendo realizada capacitação com os gerentes, mostrando o fluxo farmacêutico preconizado pelo Ministério da Saúde. Além disso, segundo Fahim, será formada uma comissão que vai trabalhar junto com juízes e promotores para orientar a população quanto ao princípio ativo do medicamento, de que pode ser adquirido um remédio mais barato e com o mesmo efeito.
Portanto, a ideia é acabar com os mandados judiciais. Nos últimos dias a secretaria comprou medicamento para abastecer a farmácia e até o fim desta semana chegarão 703 itens dos mandados judiciais. Uma equipe da Saúde vai apresentar ao juiz e promotor os itens que é possível adquirir sem ação judicial.
Por sua vez, o prefeito Paulo Piau disse que esse é um importante passo para colocar um fim na judicialização da Saúde, haja vista os enormes gastos que o município tem com multas quando não há o repasse do medicamento. “Nossa meta é não ter nenhum caso na Justiça, é um sonho, pois um ou outro pode buscar o meio judicial. Não tem como evitar 100%, mas vamos diminuir, mostrar às pessoas que é possível ter o remédio sem protocolar ação contra o município”, afirma Piau.