No dia 24 de agosto, falha no sistema paralisou marcação de consultas no Ambulatório Central da UFTM e provocou atraso no processo de agendamento. O fato gerou transtornos aos usuários e, na manhã de ontem, a cena se repetiu, desta vez com agravantes.
Usuários revoltados aguardavam o procedimento em uma fila extensa, que chegou a ultrapassar os limites do portão de entrada do pronto-socorro do Hospital de Clínicas.
O aposentado José Alcione Borges disse que, para conseguir marcar consulta com a especialidade de otorrinolaringologia, teve de passar a noite na fila. “A minha sorte foi essa, pois quando abriram os portões, eu era o quarto da fila e só consegui porque fui persistente”, revela.
A dona-de-casa Domitila das Graças disse estar há meses tentando realizar um agendamento e, mesmo chegando cedo, não consegue concluir o processo. Ela afirma que está perdendo a visão e foi avisada de que só conseguirá retorno no mês de dezembro. “No Natal será o dobro de pessoas precisando de atendimento. Aí que não vai ter vaga mesmo! Se não tem médico para todos agora, imagine depois”, protesta.
A indignação moveu a aposentada Antonieta Jacinto a escrever uma carta para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ela solicita providências e ressalta que a situação está insustentável. “Tenho um irmão deficiente e, como a maioria das pessoas, não posso dormir na fila. A minha consulta tinha caráter de urgência, mas até hoje nada. A carta para o ministro é um alerta. Nesta época de política é bom que cada m de nós saiba o poder que tem o voto. Só assim a esperança de melhora continua na gente”, desabafa.
Durante a movimentação na fila, as pessoas especulavam a morte de uma paciente que passou mal enquanto aguardava a marcação.
A Assessoria de Imprensa da UFTM informa que uma mulher chegou a passar mal, mas foi atendida e, logo após, liberada. Quanto aos questionamentos sobre a longa fila, houve a explicação de que o problema de hoje foi acarretado por conta da marcação de consultas da Fundação de Ensino e Pesquisa (Funepu), que está sendo feita temporariamente no Maria da Glória, devido às reformas no outro local. Os agendamentos feitos são basicamente de oftalmologia, mas a assessoria esclareceu que, como algumas especialidades são atendidas exclusivamente na instituição, a equipe atua sabendo de antemão que a demanda é maior do que o número de atendimentos realizados.