Em meio ao luto, a revolta. Depois de perder o marido em acidente no dia 28 de novembro, a funcionária pública Marisa Carvalho Silva, 47 anos, se diz revoltada com a burocracia
Em meio ao luto, a revolta. Depois de perder o marido em acidente registrado no dia 28 de novembro, a funcionária pública Marisa Carvalho Silva, 47 anos, se diz revoltada com a burocracia e, principalmente, com a falta de infraestrutura do Instituto Médico Legal (IML) de Uberaba. Ela afirma que precisou esperar mais de 12 horas pela liberação do corpo do esposo, sendo que o velório precisou ser realizado com o caixão lacrado, uma vez que o corpo ficou todo esse tempo sem refrigeração, já que o IML não contava com geladeira na ocasião.
“É uma situação muito constrangedora, pois perdemos uma pessoa e não fomos tratados com respeito e dignidade. Então, a gente começa a se revoltar, se questionar. Será que vale a pena ser digno e honesto? Pois, em horas como essas não somos tratados com respeito”, disparou Marisa, se dizendo revoltada também com os políticos locais. “Será que não temos políticos em nossa cidade? Já que o governador não pode cuidar disso, será que eles estão ocupados que não podem cuidar dos cidadãos uberabenses? Não consigo acreditar, entender. E, não consigo ver que seres humanos não se respeitam e não se preocupam com os outros”, completou emocionada.
O acidente aconteceu por volta das 23h45 do dia 28 de novembro, no KM 181 da rodovia BR-050, próximo ao conjunto Alfredo Freire, onde reside a família. O motorista que atropelou o marido da Marisa, João Batista Melo Neto, 46 anos, não permaneceu no local. Ele estava em uma bicicleta e provavelmente foi atingido quando tentava atravessar a pista no momento em que iria para o trabalho, onde atuava como vigia noturno.
Preocupada e não querendo que a situação se repita com outras famílias, Marisa avisou que irá procurar o Ministério Público pedindo providências em relação ao IML local. “Que se resolva, pois já é muito triste perder um parente. E é ainda pior quando não se pode fazer um velório digno para ele. Acho que alguém tem que começar a lutar. O cidadão precisa se unir e lutar para que isso não aconteça outras vezes”, revelou, explicando que se no local houvesse ciclovia ou até mesmo uma passarela este e outros acidentes poderiam ter sido evitados.
Procurado pela reportagem, o chefe do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Uberaba, Elias João Barbosa, afirmou que não existe nenhum projeto que contemple a construção de passarela ou ciclovia na região do bairro Alfredo Freire. Segundo ele, os dois projetos existentes dizem respeito à passarela que está sendo construída em frente ao bairro Jardim Maracanã e outra, que será erguida em frente a Coopervale, na rodovia BR-262, próximo aos bairros Costa Telles e Gameleiras. “Os trechos próximos ao Alfredo Freire e ao Chica Ferreira são dois pontos que a população tem reivindicado, mas não há nenhum projeto”, revelou.
Já o delegado chefe da Polícia Civil em Uberaba, Francisco Gouveia, não foi localizado para comentar sobre a situação do IML local.