Com cartazes, parentes e amigos de Eunice manifestaram indignação com a morte dela, ocorrida na terça-feira
Familiares e amigos, indignados com a morte de Eunice da Silva Santos, fizeram manifestação em frente da UPA/São Benedito ontem, alegando que, por negligência médica, foram ministrados medicamentos que causaram efeitos colaterais e desencadearam a morte dela. Ela tinha 39 anos e três filhos. Foi sepultada no cemitério São João Batista às 12h desta quarta-feira.
Segundo o esposo dela, Osvaldo Moreira dos Santos Filho, o tratamento dado a Eunice na UPA São Benedito foi inadequado, tanto por parte dos médicos como enfermeiros. “Foi um descaso total. Ela entrou andando e saiu hospitalizada. Ela teve dois aneurismas dentro da Unidade por aplicação de duas substâncias”, afirma o esposo. Eunice foi levada em seguida ao Hospital de Clínicas, onde veio a óbito na terça-feira (21).
Osvaldo também reclama da falta de equipamentos para a triagem ser realizada de forma mais precisa e de aspectos da assepsia do local. “Na UPA tem a presença de formigas, restos de fezes de bichos e não há uma cadeira para carregar um doente. Falta aparelhagem para fazer a triagem correta”, comenta. Quanto à médica que receitou os medicamentos para Eunice, Osvaldo diz que moverá todas as ações cabíveis no campo jurídico.
A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a paciente Eunice da Silva chegou à UPA São Benedito no dia 13 de agosto, às 8h14, passou pela triagem às 8h30 e foi chamada pelo médico às 8h34. Não havia sinais de gravidade, mas relato de dor de cabeça e crise convulsiva. Foi feita análise clínica e administrada medicação, porém não houve melhora. Assim, o médico manteve a paciente na unidade para mais exames. Foi solicitada a tomografia e também foi realizada avaliação do neurocirurgião. O profissional fez o diagnóstico do caso e estabeleceu a conduta de tratamento. Inicialmente, não havia necessidade de cirurgia e a orientação foi apenas o tratamento clínico, que foi iniciado pela equipe da UPA.
Apesar dos procedimentos realizados e da medicação, o quadro continuou piorando. Por isso, o médico inseriu a paciente no SUS/Fácil, solicitando a internação no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Com o agravamento do quadro, no dia 15 de agosto ela foi transferida com vaga zero (sem liberação do hospital em virtude do risco de morte imediato) para o HC da UFTM.