CIDADE

Novo levantamento do MEC mostra piora na qualidade do ensino público em Uberaba

Luiz Henrique Cruvinel
Publicado em 19/09/2022 às 18:10Atualizado em 18/12/2022 às 03:41
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O Ministério da Educação (MEC) divulgou, na sexta-feira (16), os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que reúne indicadores importantes para a condução das políticas públicas em educação no País. Em Uberaba, os dados apontam queda no desempenho em todas as faixas de ensino, iniciais (1º a 5º ano), finais (6º ao 9º ano) e Ensino Médio nos últimos dois anos.

De acordo com a relação de notas, calculada a partir dos índices de aprovação escolar e das médias de desempenho na Prova Brasil, o ensino público de Uberaba recuou, na comparação com 2019, 0,3 pontos nos anos iniciais (6 para 5,7); 0,2 nos anos finais (5,1 para 4,9) e 0,1 pontos no Ensino Médio (4,2 para 4,1). São contabilizadas as informações das redes municipal e estadual.

Outra queda significativa foi no Indicador de Aprendizado (Escala Saeb), que varia de 0 a 10 e quanto maior, melhor. São analisados os rendimentos em Língua Portuguesa e Matemática e formalizada uma nota padronizada. Em 2019, nos anos iniciais, a taxa Saeb da rede pública foi 6,16. Dois anos depois, o número é de 5,78. A média de proficiência em Português há dois anos era de 214,79 e agora, 207,27. Na Matemática, antes, o número era 224,65 e, em 2022, 212,32.

Nos anos finais a nota Saeb também baixou. De 5,51 em 2019, foi registrado, em 2021, 5,27. Do 6º ao 9º ano, no penúltimo levantamento, Matemática estava registrada com nota 265,52 e Português, 265,08. Dois anos depois, o levantamento aponta 255,52 e 260,41, respectivamente.

Por outro lado, a taxa de aprovação na rede pública de Uberaba se manteve estável. Nos anos iniciais, de 1º a 5º ano, o índice foi de 0,98 nos dois anos mensurados. Ou seja, a cada 100 alunos, 2 não foram aprovados.

Já nos anos finais, a aprovação aumentou. Do 6º ao 9º ano, em 2019, a cada 100 alunos, 8 não foram aprovados, com taxa de 0,92. Já no novo balanço divulgado pelo Ministério, a cada 100 alunos, 6 não são aprovados, resultando em índice de 0,94.

A reportagem do Jornal da Manhã procurou a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e a Superintendência Regional de Ensino (SRE) e questionou sobre os motivos para as quedas acentuadas. As pastas também foram procuradas para apresentarem propostas de avanço no ensino público da cidade.

Em nota distribuída à imprensa, a Semed afirma que os dados refletem o impacto direto da pandemia na qualidade do ensino, com aulas totalmente remotas no primeiro semestre de 2021 e híbridas no segundo. Também, a Educação pondera que algumas escolas da cidade não atingiram o percentual mínimo de presença na prova do Saeb, o que teria causado o baixo desempenho.

“Em Uberaba, das escolas que ofertam os anos iniciais do Ensino Fundamental, oito não alcançaram a taxa mínima de participaçã E.Ms. Uberaba, Adolfo Bezerra de Menezes, Urbana Frei Eugênio, Professora Stella Chaves, Professor José Macciotti, José Geraldo Guimarães, Santa Maria e Joubert de Carvalho e outras duas não fizeram a prova por não terem o número mínimo de alunos matriculados no 5º an E.M. Sebastião Antônio Leal e José Marcus Cherém, ambos na zona rural.

Já entre as unidades com anos finais, dez não conseguiram atingir a meta mínima de presença: E.Ms. Norma Sueli Borges, Arthur de Mello Teixeira, Maria Lourencina Palmério, Professora Niza Marquez Guaritá, Uberaba, Urbana Frei Eugênio, Professora Stella Chaves, Professor José Macciotti, José Geraldo Guimarães e Santa Maria, além da unidade de campo, Sebastião Antônio Leal”, diz a pasta.

Para driblar o desafio, no comunicado oficial, foi criado um projeto de Intervenção e Acompanhamento Pedagógico e o Núcleo de Atendimento Pedagógico Online, que oferta aulas de Língua Portuguesa e Matemática para alunos do 4º ao 9º ano.

Já a Secretaria Estadual de Educação (SEE) diz que a pandemia interrompeu e alterou políticas adotadas pela rede estadual pública de ensino, que ao longo da maior parte dos anos de 2020 e 2021 realizou as atividades de forma remota (ou híbrida). A SEE alega, também, que o momento de aplicação das provas do Saeb não foi adequado, já que ficou refém da situação pandêmica em Minas Gerais.

“A participação dos estudantes na avaliação também registrou queda, já que as provas do Saeb 2021 foram aplicadas em novembro de 2021, ainda no contexto pandêmico, o que impactou negativamente a participação dos estudantes nas avaliações. Durante o período da aplicação havia decretos municipais vigentes que impediam a abertura de escolas em 97 municípios mineiros; alunos ausentes devido a não autorização dos pais/responsáveis; e também alunos já aprovados no período da aplicação e que não compareceram às escolas.

Em 2021, cerca de 32% das escolas tiveram pelo menos 80% de participação no Ensino Médio. A participação havia crescido de 2017 para 2019, que tinha saltado de 56% para 77% das unidades escolares”, justifica a Secretaria.

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