A Organização de Procura de Órgãos e Tecidos, chefiada pelo médico Shigueo Iwamoto, teve sucesso na primeira captação de córneas
A Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO), coordenada pelo médico Shigueo Iwamoto, teve sucesso na primeira captação de córneas realizada na UPA São Benedito. Trata-se de paciente que sofreu infarto agudo do miocárdio aos 62 anos de idade, portador de pressão alta, tornando-se um possível doador de córneas.
De acordo com a enfermeira da OPO, Patrícia Martins Ribeiro, quando da instalação da organização em Uberaba, foi feito um trabalho de conscientização com médicos e enfermeiros de unidades de saúde e hospitais da cidade e região. Em razão disso, 10 minutos após a constatação do óbito do paciente, às 9h30, o enfermeiro Vinícius Careli, que estava de plantão na UPA São Benedito, entrou em contato com a OPO e avisou sobre a existência de um possível doador. “O paciente com coração parado só pode ser doador de córnea. Por isso, o hospital ou instituição tem que ligar para nós o mais rápido possível, já que todo o procedimento deve ser feito em até seis horas. Nesse prazo, devemos entrar em contato com a família sobre a possibilidade de ela doar e fazer a captação. Pacientes soropositivos, usuários de drogas, pacientes que foram presidiários, bem como portadores de câncer, são contraindicados para doação”, explica. A enfermeira também lembra que grande parte do sucesso desta captação se deve à agilidade do enfermeiro da UPA São Benedito.
Depois de captada, a córnea foi acondicionada em caixa apropriada com antibióticos e hidratação e seguiu de ônibus, através de parceria com a empresa Platina, para a Central de Notificação Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos em Uberlândia, onde fica localizado o Banco de Olhos. Patrícia esclarece que lá um oftalmologista irá fazer a avaliação da córnea e exames no sangue coletado do paciente. Se não houver contraindicações, a córnea é enviada ao paciente com compatibilidade que aguarda na fila do transplante.
A captação, realizada de 30 minutos a uma hora, é feita através da retirada de todo o globo ocular, já que podem ser doadas a córnea e a esclera, a parte branca do olho, para pacientes que a perderam em caso de trauma. Neste caso, a equipe de enfermagem que realiza o procedimento de captação também faz a reconstituição do globo ocular com preenchimento. “Muitas pessoas têm medo de que o familiar fique deformado ou que fique visível, mas não fica. Se a família não comentar que houve a doação das córneas, o procedimento fica imperceptível. É importante lembrar que é uma questão de conscientização. Quem faz a doação é a família de primeiro grau, ou seja, cônjuge, pais, irmãos e filhos, por isso, em vida, a pessoa deve demonstrar o desejo de doar à família”, frisa.