Matrículas em escolas da rede estadual continuam levantando polêmica. Depois da alteração de datas para abertura de vagas, que irritou pais que já faziam filas nas portas dos colégios, agora é a reserva de vagas exclusivamente aos alunos cadastrados ou oriundos da rede pública que causa revolta.
A mãe de uma estudante de 13 anos procurou ontem a Escola Estadual Corina de Oliveira, no bairro Mercês, em busca de uma vaga para a filha no 1º ano do Ensino Médio, mas voltou para casa sem a matrícula. Segundo ela, havia a vaga, porém a matrícula não foi autorizada porque a menina vem de escola particular. “Isso é um absurdo, pois moro próximo à escola e, portanto, me enquadro no plano de zoneamento. O fato de minha filha vir de uma escola particular não poderia impedir a matrícula, pois ela tinha bolsa de estudos, mas agora não tenho condições de pagar”, desabafa.
A superintendente regional de Ensino, Vânia Célia Ferreira, alega que há uma emenda editada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que assegura privilégio aos candidatos às vagas oriundos de escolas publicas próximas à instituição onde é pleiteado o novo lugar ou estudantes cadastrados na lista de espera da escola. “Esta é uma resolução da Secretaria de Estado da Educação, portanto, o cumprimento é obrigatório. Ou seja, até sexta-feira (19), a prioridade é desses alunos. A partir de segunda-feira (22), as escolas que tiverem vagas devem distribuir senhas aos pais e realizar sorteio se a demanda for maior que o número de vagas”, explica Vânia, acrescentando que os pais deixam de fazer o cadastro no meio do ano.
Sobre o temor de alguns pais quanto aos filhos ficarem fora da escola por falta de vagas, a superintendente diz que os pais precisam se conscientizar de que há outras inúmeras escolas da rede estadual com o mesmo padrão de ensino e qualidade, porém fora das regiões centrais. “Existe a cultura de que as escolas maiores e próximas ao centro são melhores, mas isso é uma cultura e não a realidade”, conclui.