No entendimento do pesquisador, conversar e usar a tecnologia da informação é a maior parte do trabalho no século XXI
Conhecimento e inovação são “duas faces da mesma moeda”. Segundo o reitor do Centro Universitário de Belo Horizonte e professor da Fundação Dom Cabral, Rivadávia Drummond de Alvarenga Neto, o conceito não é novo, mas é pouco assimilado. Os temas têm relevância estratégica para qualquer organização, porém são tratados de forma desarticulada, desperdiçando oportunidades tanto para o presente quanto para o futuro. O especialista esteve em Uberaba para participar de workshop promovido pela Unimed.
Rivadávia Drummond concluiu o pós-doutorado na Faculdade de Estudos da Informação da Universidade de Toronto, onde é pesquisador convidado do Centro de Investigação em Gestão do Conhecimento. “Inovação é frequentemente confundida com criatividade e invenção, embora sejam conceitos diferentes. A base da inovação está no conhecimento, na criatividade e na inventividade, mas ela pressupõe três coisas importantes: primeiro trazer novas possibilidades de aplicação de uma tecnologia; segundo, a demanda crescente por ela, e em terceiro, queda do preço unitário. Resumindo, a inovação pressupõe a aplicação comercial, tem que ser levada para o mercado e tem que haver retorno”, explica.
O pesquisador destaca que a inovação não necessariamente tem que ser tecnológica. “Inovação estratégica é a criação de valor na interface entre tecnologia e o modelo de negócio, que é a forma como uma empresa cria, entrega e captura valor no mercado. Ou seja, é a lógica pela qual uma organização ganha dinheiro”, esclarece. Alvarenga Neto afirma que o Brasil é um país que ainda impõe muita dificuldade à inovação. “Pela deficiência do sistema educacional, pelo excesso de disfunções burocráticas e pela falta de uma cultura em empreender e gerar novo conhecimento, além da existência de uma séria de outros entraves, como tributos, a questão da propriedade intelectual e do direito autoral, etc.”, frisa.
No entanto, Alvarenga Neto afirma que, ainda que o Brasil apresente dificuldades, organizações ainda podem desenvolver uma cultura de inovação se tomarem algumas providências. “Basta ela mudar, radicalmente, comportamentos. Ou seja, para criar uma cultura de inovação é preciso começar a pensar em coisas triviais. As organizações que querem inovar toleram erros honestos? Qual é a ideia de trabalho produtivo que a organização tem no século 21? Tem empresas que ainda proíbem Facebook, Twitter e LinkedIn. Ora, em pleno século 21, ler, conversar e usar a tecnologia da informação é a maior parte do trabalho”, revela.
Outra questão apontada pelo pesquisador é saber que aprender pressupõe transpirar, ou seja, é algo prazeroso, mas que dói. “A organização preserva o tempo de aprendizado, investe em desenvolvimento de pessoas? Se perguntas simples como estas não forem respondidas o ambiente interno da organização também não é um bom espaço para inovar”, completa.