Alvo de muitas críticas, o programa Mais Médicos, instituído pelo governo federal para resolver os problemas na saúde brasileira, voltou a ser motivo de avaliação pela categoria. O pediatra Luciano Borges Santiago, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria e presidente da Sociedade Regional de Pediatria do Vale do Rio Grande, destaca que a solução para a saúde está nos investimentos. “Médico vai aonde ele é bem remunerado. Se está faltando médicos em algum lugar é porque não há condições de trabalho e a remuneração é baixa. O governo gasta com muita bobagem e não põe os 10% do orçamento que tinha que ir para a Saúde, e depois ficam querendo fazer as coisas mal feitas. Na verdade, não faltam médicos no país ou especialidades, o que acontece é que se não há condições de trabalho eles não vão”, afirma.
Conforme levantamento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, apesar de crescer de forma acelerada e constante, a população médica brasileira é mal distribuída pelo país. Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) contam com quatro vezes menos médicos que os do setor privado. Do total de médicos ativos no país, a região Sudeste tem 2,61 para cada 1.000 habitantes. Já o Norte do país tem menos de um médico (0,98) para cada 1.000 habitantes. Para Sandro Penna, o programa nada mais é do que uma manobra eleitoreira. Ao invés de pular todas as etapas para validação de diplomas para trazer médicos estrangeiros ao país, seria necessária a criação de um plano de carreira e salário para os médicos do SUS.