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Possível barreira à carne brasileira na Europa pode afetar preços e abates em Uberaba

Representantes do agro alertam para reflexos na pecuária, frigoríficos e mercado interno

Débora Meira
Publicado em 17/05/2026 às 14:57
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A possível suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia já preocupa representantes do agronegócio em Uberaba, município que possui forte ligação com a pecuária e com a cadeia produtiva da carne. A medida, anunciada pela Comissão Europeia, passa a valer em setembro caso o Brasil não consiga atender às exigências sanitárias relacionadas ao controle do uso de antibióticos na produção animal. 

A decisão da União Europeia retira o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco europeu, sob a justificativa de que o país ainda não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento das novas regras sanitárias. As normas europeias proíbem o uso de antibióticos como promotores de crescimento animal, permitindo apenas aplicações terapêuticas. 

Em Uberaba, o secretário municipal do Agronegócio, Luís Renato Tiveron, avalia que os impactos podem ser significativos caso a suspensão realmente entre em vigor. Segundo ele, a medida pode gerar desequilíbrio no mercado interno devido ao aumento da oferta de carne que deixaria de ser exportada. “Se a suspensão da carne do Brasil para a União Europeia se efetivar, em setembro próximo, o impacto pode ser imensurável. Quando se trata de exportação, a sobrecarga do produto no mercado interno poderá causar queda significativa de preço, inclusive redução na linha de abate”, afirma. 

Apesar da preocupação, Tiveron acredita que ainda há possibilidade de reversão da decisão por meio de negociações técnicas entre o governo brasileiro e autoridades europeias. “O Brasil, pelo que afirmam as autoridades do setor, tem cumprido com o que pedem os protocolos de exportação. É preciso que o governo federal aja rapidamente e de forma convincente, de modo a reverter o anúncio da União Europeia”, pontua. 

A preocupação também é compartilhada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que acompanha a discussão e destaca que a decisão ainda está em fase preliminar. Segundo a entidade, produtos potencialmente afetados pelas restrições somaram mais de US$ 33 bilhões em exportações brasileiras em 2025, sendo cerca de US$ 1,81 bilhão destinados ao mercado europeu.  

A Fiemg avalia que a eventual exclusão do Brasil da lista de países autorizados pode afetar cadeias importantes da economia mineira e nacional, como carnes bovinas e de aves, leite, ovos, mel e pescados. A entidade também defende que as exigências sanitárias sejam conduzidas com base em critérios técnicos e científicos, sem se transformarem em barreiras comerciais. 

A medida ocorre em meio ao avanço das negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia e reacende o debate sobre as exigências sanitárias internacionais para o setor agropecuário brasileiro. Enquanto o governo federal busca diálogo para evitar a suspensão, representantes do agronegócio alertam para os reflexos que a decisão pode trazer à produção, aos frigoríficos e ao mercado interno.

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