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Após dois meses do início das coletas, Uberaba ainda está longe da meta do censo demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em entrevista à Rádio JM, nesta sexta-feira (30), o coordenador do instituto na cidade, Marshal Marangoni, revelou que a rejeição aos ainda poucos recenseadores aumenta em setores com muitos prédios e condomínios, como os bairros Universitário, Centro e Olinda, o que afasta o prazo de conclusão do programa.
Marshal conta que Uberaba foi dividida em 891 setores, que compreendem áreas menores do que um bairro. Para a varredura dentro do prazo estipulado pelo IBGE de três meses, o ideal seria uma equipe de 306 recenseadores, número extremamente alto se comparado aos menos de 200 ativos atualmente na cidade.
No entanto, até o momento, mais de 400 setores ainda não foram completamente atendidos, e alguns sequer tiveram o processo de recenseamento iniciado. “Temos dois meses de coleta e não chegamos na metade [de setores atendidos]. Não tem como afirmar [prazo para término] se com menos de dois meses de trabalho não temos condições de concluir. Mas depende de ações do IBGE a nível nacional, porque cidades maiores em outros lugares do Brasil também sofrem com essa resistência”, diz Marshal Marangoni.
Na análise do coordenador, as áreas com prédios e condomínios são hoje os principais gargalos de atuação dos recenseadores. “[A dificuldade] é nos edifícios e condomínios, com síndicos que não querem cooperar, entender o nosso lado. E também há muitas vezes em que o síndico abraça a causa mas os moradores não. Fingem que não tem ninguém em casa quando é possível ouvir pessoas e passos. De qualquer forma, o recenseador insiste, coloca cartinha…”, revela.
Outra situação que prejudica a coleta de dados é a baixa produtividade de recenseadores. Além de não alcançar o número de 306, alguns trabalhadores não realizaram a quantidade mínima de visitas e outros não começaram os questionários, mesmo após dois meses do início do Censo. A causa disso, segundo Marshal, está relacionada ao alto índice de rejeição e condições de pagamento, já que, em casos como na agricultura, o valor pago pelo IBGE, de cerca de R$ 700 por setor, não é suficiente para a concorrência com outros setores.