Secretaria Municipal de Saúde implanta serviço para atendimento especial de mulheres vítimas de violência física
Secretaria Municipal de Saúde implanta serviço para atendimento especial de mulheres vítimas de violência física, sexual e psicológica, dentro ou fora do ambiente doméstico. Conhecido como programa Pró-Viver Mulher, o serviço, iniciado em novembro de 2013, oferece atendimento multidisciplinar gratuito a cerca de 25 mulheres.
O número real de casos ainda é subnotificado, mas dados levantados por alunos do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) com a Polícia Civil revelam uma parte do problema. Em 2011, cerca de 2.600 mulheres foram vítimas de violência, sendo que no ano seguinte esse número aumentou, houve 3.088 denúncias de violência contra a mulher e um aumento de 85% de crimes como este nos últimos três anos. O levantamento informa ainda que, segundo o Centro de Referência à Mulher Vítima de Violência, houve o registro de apenas 2.627 casos de violência contra a mulher naquele ano. Porém, cerca de 200 mulheres são agredidas por mês em Uberaba. A intenção da secretaria é fazer com que o programa Pró-Viver Mulher se aproxime ao máximo da realidade, trabalhando em conjunto com estes órgãos.
Segundo o secretário Fahim Sawan, os atendimentos acontecem de segunda a sexta, das 7h às 17h, e tem como objetivo de acolher, orientar e oferecer atendimento médico e psicossocial às mulheres e adolescentes de todas as idades que sofrem qualquer tipo de agressão. “A violência contra a mulher não escolhe idade, classe social ou escolaridade, acontece de forma silenciosa, sendo que, muitas vezes, o desfecho pode ser o homicídio”, frisa.
A equipe é coordenada pela médica Rivia Tirone, pela psicóloga Andrezza Sisconeto e pela assistente social Zélia Barboza. “Essas mulheres, quando sofrem violência sexual, devem ser atendidas inicialmente na UPA ou no Hospital de Clínicas da UFTM, porque precisam do atendimento emergencial, a fim de evitar a gestação indesejada e as doenças sexualmente transmissíveis, como HIV. Depois essas mulheres são encaminhadas ao Caism, para fazer o seguimento, porque elas precisam receber acompanhamento médico por seis meses, e do ponto de vista psicológico, enquanto a mulher viver a perturbação, reflexo da violência, ela será atendida por nós”, explica.
A recomendação da médica é de que em caso de agressão, ainda que pareça ser de menos gravidade, é importante procurar atendimento médico, pois embora a lesão não seja aparente, há risco de sangramento e rupturas internas. “Às vezes, no caso de violência física, o próprio agressor, quando é o companheiro, leva a mulher para ser atendida, mas depois volta com ela para casa, e a mulher continua naquela situação. Por isso, buscamos conscientizá-la sobre seus direitos e de que ela pode seguir a vida longe da violência. Como muitas mulheres não denunciam por dependência econômica, também vamos oferecer alternativas para a profissionalização delas e tentamos dar meios para que elas deixem essa situação de violência”, completa Rivia Tirone.