FUGA DO FOGO

Queimadas levam animais silvestres para perto de casas em Uberaba

Hospital Veterinário da Uniube já recebeu 334 animais em 2026, incluindo seis serpentes

Débora Meira
Publicado em 24/05/2026 às 15:08
Compartilhar
Quase toda semana há registros de captura de animais como jiboias, além de outros casos envolvendo espécies silvestres de grande porte (Foto/Divulgação)

Quase toda semana há registros de captura de animais como jiboias, além de outros casos envolvendo espécies silvestres de grande porte (Foto/Divulgação)

Os incêndios em áreas de vegetação e a consequente fuga de animais silvestres têm aumentado a presença desses bichos em regiões urbanas e rurais de Uberaba, segundo especialistas e autoridades ambientais. O tema foi abordado em entrevista ao programa Pingo do J, com o tenente-coronel Josias Soares, e também analisado pelo médico veterinário Cláudio Yudi, que apontam a relação direta entre queimadas, perda de habitat e o deslocamento da fauna. 

De acordo com o comandante dos Bombeiros em Uberaba, quase toda semana há registros de captura de animais como jiboias, além de outros casos envolvendo espécies silvestres de grande porte. Ele explica que, embora muitas dessas espécies não sejam peçonhentas, representam risco e exigem manejo adequado por equipes especializadas. 

“Quase toda semana a gente tem capturado uma jiboia, batemos o recorde de 3 metros, 3,5 metros. São animais agressivos, muito embora a jiboia não seja peçonhenta, mas são agressivos e tem que tomar cuidado. Tem que acionar o Corpo de Bombeiros para fazer o resgate e o devido encaminhamento do animal”, afirma. 

O comandante destacou que os incêndios alteram o habitat natural e obrigam os animais a buscar novas áreas de abrigo e alimentação, o que aumenta os riscos de atropelamentos e encontros com pessoas. “Normalmente os incêndios provocam distúrbios nesses locais dos animais e eles costumam sair de um local procurando abrigo. Tivemos na semana passada um lobo-guará atropelado, tem acontecido constantemente, essa semana tivemos um quati, tamanduá acontece constantemente. Os incêndios causam muito problema porque eles alteram o ambiente, e eles acabam sendo atropelados ou tendo contato com a população”, disse. 

Segundo o comandante, esse movimento também se intensifica em períodos de safra da cana-de-açúcar. Ele afirma que os animais mais frequentemente registrados na região incluem cobras como jiboias, sucuris e cascavéis. 

No Hospital Veterinário da Uniube, o aumento da chegada de animais silvestres também tem sido observado. O médico veterinário Cláudio Yudi explica que os dados refletem apenas os animais que precisam de atendimento, geralmente feridos ou debilitados. “Em 2025, o HVU recebeu cerca de 973 animais, com três registros de serpentes. Em 2026, já são 334 animais recebidos e seis registros de serpentes, incluindo uma cascavel. É importante destacar que o hospital recebe principalmente animais feridos ou com suspeita de lesões”, afirma. 

Segundo ele, o aumento não significa necessariamente crescimento populacional das espécies, mas sim maior aproximação da área urbana em função de fatores ambientais. “Esse aumento proporcional não significa, isoladamente, um crescimento populacional, mas pode indicar maior aproximação desses animais das áreas urbanas, influenciada pela seca, queimadas, perda de abrigo, redução de alimento e alterações no habitat”, explica. 

O veterinário reforça que queimadas e incêndios têm impacto direto no comportamento da fauna, forçando deslocamentos em busca de abrigo, água e alimento. “Os incêndios alteram o microambiente, destroem abrigos naturais e obrigam os animais a buscar outras áreas. Isso vale para serpentes, mamíferos, lagartos, aves e até insetos”, disse. 

Ele alerta ainda que o aparecimento desses animais em áreas urbanas não deve ser interpretado como agressividade, mas como reação de sobrevivência diante das mudanças ambientais. “O animal não invade o espaço humano por agressividade. Ele está fugindo de um ambiente que deixou de oferecer condições de sobrevivência”, destaca. 

O veterinário também chama atenção para o risco de acidentes domésticos e reforça medidas preventivas, como limpeza de terrenos, controle de insetos, vedação de frestas e cuidado com entulhos, que servem de abrigo para espécies peçonhentas como escorpiões e cobras. 

As orientações tanto dos Bombeiros quanto da equipe veterinária são de cautela: ao encontrar um animal silvestre, a recomendação é não tentar capturar ou matar, manter distância e acionar os órgãos competentes, como o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar de Meio Ambiente. 

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por