A prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre a venda de veículos já gera polêmica em Brasília (DF) e repercute em Uberaba. Enquanto em Brasília o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, divulgou nota, na semana passada, afirmando que o governo não adotará essa medida, o governo considera que a mesma surtiu o efeito esperado e avalia a possibilidade de prorrogá-la. Em Uberaba, os gerentes de concessionárias, cautelosos, veem com bons olhos a possibilidade. “Acredito que haverá esta prorrogação, porém, com retorno escalonado do imposto, com acréscimo de 1% a cada mês, por exemplo. Esta volta seria parcial e gradativa para que os possíveis compradores não sentissem tanto o peso do retorno da cobrança do IPI. E, como deverá haver mesmo esta cobrança novamente, dessa forma pelo menos seria menos doloroso”, avalia Carlos Beirigo, gerente da Ubervel. “Mas não acredito na prorrogação da redução do imposto de forma total, pois a arrecadação que o governo perde é muito grande. De qualquer forma, só teremos um posicionamento definitivo sobre essa questão em 31 de março”, afirma. Essa é a data cujo término da redução estava previsto inicialmente. Ainda de acordo com Carlão, o ideal seria que não houvesse essa volta da cobrança do IPI. “Com ela, tivemos aumento de 20% nas vendas de veículos”, informa. Para Fabrício Lombardi, gerente da Texas Ford, a prorrogação também é uma incógnita, mas seria positiva. “Não tem nada certo, por enquanto. Mas é claro que, para o consumidor, essa medida seria bem-vinda. As vendas estão aceleradas e, se não tiver esta cobrança por mais tempo, serão mantidas nesse patamar, que voltou ao normal em janeiro deste ano, após o princípio da crise verificada em novembro e dezembro de 2008”, explica. A redução do IPI foi anunciada em dezembro, depois da forte queda nas vendas de veículos no último trimestre de 2008. Boatos dão conta de que, se houver essa prorrogação, a medida só será anunciada no final deste mês, para não frustrar as vendas de março. O temor é de que, sabendo que terá mais tempo para adquirir um veículo novo mais barato, o consumidor acabe adiando a compra. O Ministério da Fazenda estimou que a desoneração temporária do IPI para automóveis durante três meses vai significar uma renúncia fiscal de cerca de R$ 1 bilhão. Valores. A tabela do IPI para automóveis com validade até o final de março é a seguinte: carros de até 1.000 cilindradas terão alíquota reduzida de 7% para zero; acima de 1.000 até 2.000 cilindradas movidos à gasolina, de 13% para 6%, e os movidos a álcool ou flex, de 11% para 5,5%; acima de 2.000 cilindradas terão o IPI mantido em 25%, para os movidos a gasolina, e em 18%, para as versões a álcool e flex; picapes de até 1.000 cilindradas terão redução do IPI de 8% para 1%, enquanto as de 1.000 até 2.000 cilindradas terão o imposto reduzido de 8% para 4%.