Superintendência Regional de Saúde informa que o município protocolou o pedido de liberação de três veículos, na quarta-feira, mas outras medidas devem ser adotadas antes
Superintendência Regional de Saúde recomenda que a população pode e precisa ajudar no controle do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue e chikungunya e ainda o mosquito Aedes albopictus, transmissor do agente que causa a febre chikungunya, comum no limite de áreas urbana e rural. A regional alerta que este ainda não é o momento para utilização do “fumacê”, em razão da baixa incidência de casos no município.
O superintendente Iraci José de Sousa Neto destaca que o Comitê Técnico Regional de Enfrentamento à dengue, responsável pela análise de controle e combate aos vetores das duas doenças nos 27 municípios jurisdicionados, inclusive as solicitações de “fumacê”, vem se reunindo semanalmente para definir o cronograma de ações e não interrompeu suas atividades desde 2013, nem mesmo na troca de governo. Ao contrário do informado pelo município, o pedido de três veículos de “fumacê” só foi protocolado na quarta-feira (14). “O ideal é dar tempo de funcionar todo o serviço de controle vetorial rasteiro, como o uso das bombas-costais, mutirões de limpeza e visitas dos agentes, para diminuir a infestação e a transmissão da doença. Agora não há indicação para o fumacê”, frisou Iraci Neto.
Embora o LIRAa, divulgado pela Secretaria de Saúde na segunda-feira (12), informe que o índice de infestação do mosquito geral tenha chegado a 2,7% e a 6% em pelo menos 13 bairros, Iraci Neto ressaltou que o critério utilizado pela Secretaria de Estado de Saúde para a liberação do “fumacê” sempre foi o cumprimento de requisitos especificados nas Diretrizes Nacionais de Combate e Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, publicado pelo Ministério da Saúde em 2010.
Segundo o documento, a medida é indicada tecnicamente somente em situações emergenciais, em períodos epidêmicos, com situação de alta transmissão, com incidência acima de 300 casos confirmados da doença a cada 100 mil habitantes, e em situações de bloqueio de transmissão, o que não é o caso de Uberaba neste momento. Em 2014, houve 3.792 notificações, enquanto na primeira quinzena de janeiro de 2015, apenas 7 não confirmados, o que demonstra que a incidência está em torno de 15 casos e, portanto, não há risco de epidemia e não há necessidade de utilizar o fumacê.
No final de dezembro de 2014, de sete notificações, apenas um caso de dengue foi confirmado. “Nós temos que planejar e a melhor ação possível neste momento seria a mobilização de todos os agentes do município, bem como da Secretaria de Obras e Serviços para fazer a limpeza, e o trabalho focado com as bombas costais e agentes de endemias em número suficiente para atender toda a demanda”, explicou.
Conforme reforçou Iraci Neto, outros fatores devem ser considerados no uso do “fumacê”, como o risco potencial de impacto ambiental, como a morte de outros mosquitos e aves; o potencial de risco à saúde humana, por ser um inseticida químico; sua eficácia limitada se comparada a outras técnicas, como a remoção dos focos e a utilização efetiva da bomba costal. Além de que, o uso não racional de inseticidas pode causar resistência nos mosquitos. Atualmente, Uberaba usa um segundo tipo de inseticida, pois os mosquitos já são resistentes ao primeiro tipo usado na cidade.