Denise Max diz que a ONG tem deficiências, mas os cães são atendidos da melhor forma possível
Responsável pela Sociedade Uberabense de Proteção dos Animais (Supra), Denise Max reconhece os problemas estruturais da sede, instalada no condomínio Chácaras Bougainville, no final da Univerdecidade. De acordo com ela, o custo para a manutenção do abrigo é de R$ 15 mil por mês. Grande parte desse montante é para comprar ração para os 368 cães.
Apesar de toda precariedade, a responsável garante que os animais recebem tratamento adequado como consulta com os veterinários voluntários, medicamentos, vacinação e castração. E quase todos passam por uma avaliação clínica antes de chegarem ao abrigo. “Nunca escondemos as nossas dificuldades, mas os animais não são jogados aqui para morrer. Nós fazemos tudo para assisti-los da melhor forma possível”, defende.
Denise Max acredita que a determinação da promotora Claudia Alfredo Marques de Carvalho, de se promover uma fiscalização da sede, não passa de uma perseguição do trabalho que é realizado pela Supra. Para ela, todas as questões que motivaram a reunião, realizada na sexta-feira passada, foram feitas por retaliação a uma denúncia que ela pretende apresentar contra o Departamento de Zoonoses.
A responsável pela entidade também critica a postura da promotora em defender o fechamento da Supra. “Ela nunca foi lá. Como dizer que o lugar deve ser fechado com base em relatos e sem nunca ter posto os pés lá?”, dispara. E também rebate as colocações de que a ONG não deve ser totalmente dependente do poder público. Segundo ela, a Supra não recebe nenhum recurso público mensal para a sua manutenção. Apenas conseguiu R$ 25 mil para erguer a sede e outros R$ 11 mil para a construção do poço artesiano e compra da caixa d’água. “E toda a prestação de contas destes valores foi feita junto à Prefeitura”, completa a responsável.
Conforme revela, a ONG é mantida através de doações, rifas e leilões porém, diz esperar que o prefeito Paulo Piau (PMDB) possa ajudar na manutenção da estrutura que, conforme avalia, presta um grande serviço para a população. “Se não houvesse este trabalho, os animais estariam nas ruas”, diz. Logo após ter se retirado da reunião no Ministério Público, ela diz ter se encontrado com o prefeito e ainda com o secretário de Meio Ambiente, Vinicius Rodrigues.
Quanto à preocupação sobre a leishmaniose, a advogada voluntária da Supra, Lourdes Machado, diz existir estudos onde é comprovado que o combate deve ser feito contra o mosquito vetor da doença e ações de conscientização – e não através do sacrifício dos animais. “Os cachorros são tão vítimas como os seres humanos”, finaliza.