A Câmara Municipal de Uberaba (CMU) promoveu um ato público de retratação à etnia negra. O evento marcou os 127 anos da assinatura da Lei Áurea, que colocou fim à escravidão no país em 1888.
A postura adotada pela CMU à época contrariou lei imperial, segundo a qual os legislativos deveriam tornar públicas as notícias do governo da Província e da Corte. O silêncio dura mais de um século desde a abolição dos escravos e foi identificado após pesquisa feita pelo Arquivo Público de Uberaba.
O estudo foi apresentado ao presidente da Câmara de Uberaba, vereador Luiz Humberto Dutra (SD), que se propôs a fazer a retratação, por entender que esta é uma obrigação moral e ética que cabe ao Legislativo. O ato de retratação pública foi realizado na igreja de Santa Teresinha e levou a assinatura dos 14 vereadores da 17ª Legislatura.
Entidades representativas da etnia negra receberam um documento atestando a retratação pública da Câmara. Além disso, o Legislativo prepara a lavratura, em cartório, do ato de retratação pública, revelou o presidente da Casa, justificando que esta medida visa a legalizar o procedimento.
O negro africano, escravizado, foi trazido ao Brasil para fortalecer a economia e, desta forma, acabou inserido nas mais diversas áreas de trabalho, desde a agricultura às atividades domésticas. Assim, o negro passou a fazer parte da construção do país e também da família brasileira, embora fosse visto apenas como objeto.
“Para manter sua identidade cultural, o negro precisou lutar muito e, assim como europeus e índios, contribuiu nos aspectos econômicos, sociais e políticos para a formação da identidade brasileira”, pondera o presidente Dutra, que espera corrigir um erro histórico.