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Saúde mental lidera afastamentos de servidores da Prefeitura de Uberaba

São 285 servidores municipais afastados por esses diagnósticos; equipes da Casa do Servidor pesquisam fatores que podem estar associados ao adoecimento no funcionalismo

Joanna Prata e Débora Meira
Publicado em 12/09/2026 às 10:35
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Quase metade dos servidores da Prefeitura de Uberaba afastados por motivos de saúde tem transtornos mentais e comportamentais como causa registrada. São 285 dos 589 funcionários que estavam em licença médica em 8 de setembro, o equivalente a 48,4% dos casos. Esse grupo de diagnósticos lidera os afastamentos por doença em andamento no funcionalismo municipal. 

As informações foram repassadas por Pedro Costa, superintendente da área de Gestão de Pessoas da Secretaria Municipal de Administração, que abordou o cenário de adoecimento durante entrevista ao programa JM News, da Rádio JM. No total, os 589 afastados por saúde representam 5,87% dos 10.035 servidores municipais. O levantamento considera as licenças em andamento naquela data, não o total de afastamentos concedidos ao longo do ano. 

“A gente percebe uma prevalência, olhando para absenteísmo, que são os afastamentos por motivo de doença, bem relevante no que se refere à saúde mental do servidor”, afirma Pedro. Depois dos transtornos mentais e comportamentais, os grupos com maior número de afastamentos são as doenças osteomusculares, com 97 casos, e as lesões ou causas externas, com 29. 

Entre os diagnósticos relacionados à saúde mental, os transtornos de ansiedade aparecem em primeiro lugar, com 111 registros. Na sequência estão o transtorno depressivo recorrente, com 60, e os episódios depressivos, com 51. Segundo o superintendente, o burnout também passou a aparecer mais recentemente nos registros municipais. 

A Prefeitura ainda não aponta uma causa única para o problema. Entre as hipóteses mencionadas por Pedro estão sobrecarga de trabalho, relações interpessoais e estilos de gestão. “A resposta intelectualmente honesta é: não sabemos com certeza. Existem várias hipóteses possíveis”, afirma. 

O secretário municipal de Administração, Ernani Neri, ressalta que os números não permitem atribuir os afastamentos diretamente às condições de trabalho. “Nem todo afastamento é decorrente do trabalho. Temos situações de cirurgia, situações familiares e outras situações externas que acabam levando esse servidor ao afastamento”, explica. 

Para avançar no diagnóstico, equipes da Casa do Servidor estão realizando pesquisas diretamente nos locais de trabalho, segundo Pedro. O objetivo é identificar fatores que possam estar relacionados ao adoecimento, inclusive entre funcionários que ainda não chegaram a se afastar. “Às vezes, a equipe já está adoecida, só que ainda não se produziu um afastamento, porque eu consigo trabalhar adoecido”, observa. 

Ao comentar a rotina de áreas como Educação, Saúde e Assistência Social, o superintendente destaca o contato direto com a população e a exposição a situações de pressão e desgaste emocional. “São políticas públicas de ponta, lidam com a comunidade diretamente. Então, você está exposto a maiores enfrentamentos, desafios, cuidado de pessoas”, explica. 

Considerando todas as causas de afastamento por saúde, a Educação concentra o maior número absoluto: são 357 servidores entre 5.501 funcionários. A Saúde aparece em seguida, com 132 afastados em um quadro de 2.443 servidores. 

Quando o cálculo considera o tamanho de cada secretaria, porém, Serviços Urbanos apresenta a maior proporção de afastamentos, com 6,71%, segundo o levantamento apresentado pela Prefeitura. Na sequência aparecem Educação (6,49%), Segurança Pública (6,28%) e Desenvolvimento Social (5,84%). Na Saúde, o índice é de 5,40%. Esses percentuais abrangem todas as causas de licença médica e, isoladamente, não estabelecem relação entre o adoecimento e as condições de trabalho. 

A duração das licenças também precisa ser considerada na interpretação dos números. Servidores afastados por períodos mais longos continuam contabilizados, enquanto aqueles que retornam às atividades deixam de fazer parte da contagem. Por isso, a concentração de determinado diagnóstico entre os afastamentos em andamento não corresponde necessariamente à sua participação nas novas licenças concedidas. 

Dos casos com período apurável, 189 servidores estavam afastados havia mais de seis meses. Dentro desse grupo, 117 já estavam fora das atividades havia mais de um ano, dos quais 41 ultrapassavam dois anos. O afastamento mais antigo chegava a 1.695 dias, mais de quatro anos e meio. Entre os 117 servidores afastados havia mais de um ano, 72 tinham transtornos mentais e comportamentais como causa registrada. 

O levantamento também informa mediana de duração de 60 dias para os afastamentos em geral, de 114 dias nos casos de transtornos mentais e de 411 dias naqueles relacionados a neoplasias. A mediana corresponde ao valor central dos períodos analisados, não à média nem a uma previsão de retorno ao trabalho. 

Dos 589 servidores afastados por saúde, 302 tinham previsão de retorno entre setembro e outubro: 162 em setembro e 140 no mês seguinte. Essas datas representam previsões registradas no levantamento, não retornos já confirmados. 

Além dos afastamentos por saúde, outros 476 servidores estavam fora das atividades por motivos diversos. Somadas todas as situações, eram 1.065 servidores indisponíveis em 8 de setembro, o equivalente a 10,61% do efetivo municipal. Os dados foram apresentados de forma agregada, sem identificação dos servidores ou divulgação individualizada dos diagnósticos. 

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