CIDADE

Sem 14º, professor recorre a faxina para conseguir renda

Há dignidade em todas as profissões. No entanto, nem sempre há respeito para com todas. E é por respeito e dignidade que estão brigando os professores da rede municipal de ensino de Uberaba

Paulo Borges
Publicado em 01/02/2013 às 10:08Atualizado em 19/12/2022 às 14:57
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Há dignidade em todas as profissões. No entanto, nem sempre há respeito para com todas. E é por respeito e dignidade que estão brigando os professores da rede municipal de ensino de Uberaba. O atraso no pagamento do 14º salário tem gerado preocupação e indignação. Uma professora, que preferiu não se identificar, afirmou em entrevista à Rádio JM, que alguns colegas estão apelando aos “bicos” para conseguir renda. “Tem professor fazendo faxina, lavando e passando roupa, tudo para conseguir dinheiro e sanar as dívidas. Esta é a vida, a realidade do professor”, declarou.

A professora disse reconhecer que a atual administração não tem culpa pelo atraso. No entanto, ela alegou que a partir do momento em que houve a mudança de governo, a responsabilidade foi herdada e, por isso, pede mais atenção em relação ao tema. “É humilhante o descaso pelo qual estamos passando. Só queremos o que é nosso por direito, já que cumprimos as exigências. Eu, por exemplo, trabalhei doente para poder ter esse dinheiro”, contou a professora, que participou do processo de contratação emergencial no início do ano passado, sendo que o contrato foi encerrado no fim do ano letivo e, por isso, ela não recebe salário em janeiro. “O 14º seria o meu salário”, reforçou.

A alegação da educadora diz respeito às exigências feitas pela Prefeitura para que o professor tenha direito ao recebimento do abono. De acordo com as regras, não são toleradas faltas, mesmo com atestado médico ou em casos de morte na família. Assim, aquele professor que perdesse um familiar, teria de optar por participar das cerimônias fúnebres ou ir trabalhar. O procurador-geral do município, Paulo Leonardo Vilela, já afirmou, durante entrevista à Rádio JM, que estas regras precisam ser revistas. Segundo ele, é melhor que o professor não vá trabalhar do que ir e não estar em plenas condições de lecionar.

No entanto, apesar do apelo da educadora, a Prefeitura, por meio da Secretaria da Fazenda, ainda não estipulou um prazo para que os pagamentos sejam efetuados. Antes, esperava-se que o mesmo fosse feito até o dia 31 de janeiro, ontem, o que não aconteceu. Já na quarta-feira (30) a Prefeitura revelou que irá pagar os salários dos servidores antes do carnaval. Porém, o 14º dos cerca de 1,5 mil professores que têm direito não está incluso no pacote.

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