Dia da Consciência Negra é lembrado com a realização de eventos no Santuário de Nossa Senhora da Abadia. Mesmo sem o apoio da Fundação Cultural, diversas atividades foram realizadas para comemorar o dia destinado à reflexão da igualdade racial. Na programação, Missa Afro, com a participação do Coral Afro, além de homenagens às mulheres.
O dia 20 de novembro, segundo Maria Inês Fernandes da Silva, uma das organizadoras do evento, é dedicado à reflexão e discussão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data evidencia a resistência da raça à escravidão de forma geral e foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Em Uberaba existe um monumento em homenagem a Zumbi, na avenida Presidente Vargas, e normalmente as comemorações são realizadas próximo ao local, com os ternos de congada. Entretanto, este ano, segundo Inês, a tradicional festa do negro não pode ser realizada, por falta de apoio do município.
“Esperávamos ajuda do governo e chegamos a pedir o apoio à Fundação Cultural. Conforme a legislação, é preciso constar no orçamento do município uma quantia reservada para eventos como este. A intenção era realizar a congada próximo ao monumento. Sem o apoio para o transporte do grupo, não foi possível desenvolver esta atividade. Mas contamos com a ajuda do povo e, por isso, conseguimos fazer a festa”, explica Inês.
Além da missa, mulheres do samba de Uberaba foram homenageadas em nome de todas as mulheres negras da cidade. Também houve apresentações musicais. Na noite de segunda-feira, 19, véspera do feriado, foi promovido um baile na Unidade de Atenção ao Idoso, organizado pela Irmandade Nossa Senhora do Rosário.
A dona de casa Janne Marie, integrante da Pastoral Afro do Santuário de Nossa Senhora da Abadia, conta que há
20 anos ajuda na ornamentação para a missa afro. “Acho importante o Dia da Consciência Negra. Há vários anos que ajudo e gosto muito. Minha família está sempre envolvida nas comemorações. A escravidão foi uma vergonha para o mundo e não conformo até hoje com essa atitude”, explica Janne, ressaltando que, após a instituição do feriado no Dia da Consciência Negra, as atividades desenvolvidas há anos se tornaram mais públicas, com a participação cada vez maior da comunidade.
Sobre a intenção de revogar o feriado do Dia da Consciência Negra, Janne encara como discriminação. “Assim como o Tiradentes, o Zumbi lutou por uma causa. Por que as autoridades não contestam o feriado de Tiradentes?”, questiona.