Após invadir fazenda na região de Uberaba e ser retirado pela Polícia Militar, grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanece na cidade
Após invadir fazenda na região de Uberaba e ser retirado pela Polícia Militar, grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanece na cidade, porém reunido na praça Pio XII, no bairro Gameleiras. De acordo com o porta-voz do grupo, Edvaldo Soares dos Santos, 36 anos, ainda não está definido se o movimento irá tentar reocupar a fazenda ou partir para outra região.
Conforme noticiou o Jornal da Manhã, em sua edição de ontem, o grupo entrou na fazenda Inhumas, situada no km 116 da rodovia BR-050. Utilizando foguetes, porém sem uso de força física, eles permaneceram no local das 21h de terça-feira (17) até a manhã de ontem, quando foram retirados pela Polícia Militar.
Na versão apresentada por Edvaldo, a ação faz parte da jornada do chamado “Abril Vermelho”, que visa a celebrar a memória de integrantes do movimento mortos em confrontos com donos de propriedades e a polícia em Eldorado dos Carajás, em 16 de abril de 1996.
Segundo ele, a fazenda em questão já está passando pelo processo de desapropriação, sendo que no ano passado algumas famílias que ocupavam o local foram retiradas também pela PM. “A Vara de Conflitos Agrários está cuidando deste caso. Mas, as ocupações são uma forma de repúdio à violência no campo. No entanto, depois os jagunços, porque não os consideramos seguranças, chegaram dando tiros para cima e intimidando o grupo, inclusive crianças. Nós próprios ligamos para a polícia para que nada mais grave acontecesse”, afirmou, reforçando que as reivindicações junto ao Incra continuam, para que a terra seja desapropriada e repassada aos integrantes do movimento.
Conforme o manifestante, o próprio ouvidor agrário nacional, o desembargador Gercino José da Silva Filho, havia avisado para que os manifestantes permanecessem na fazenda. Porém, a polícia os obrigou a se retirar do local. “A Polícia Militar de Minas Gerais não respeitou o que o desembargador determinou. Com cachorros e armamentos pesados, nos fizeram sair de lá em poucos minutos. Já a nossa arma é a vontade de trabalhar. Por isso nossas manifestações são pacíficas”, reforçou, dizendo ainda que a própria PM não os autorizou a montar barracas e estender faixas com mensagens de protesto.
Agora, segundo Edvaldo, os integrantes do MST ainda não sabem quando vão deixar a cidade, nem tampouco para onde vão. “Ainda estamos decidindo isso. Porém, não vamos desistir, pois causa indignação viver em um país onde tem tanta terra e a gente não pode possuir um pouco dela para produzir nosso sustento”, argumentou, finalizando.