Pela programação da 9ª Semana do Orgulho LGBT, neste sábado acontecem as eleições de Miss & Mister Gay Uberaba, Miss Trans Uberaba 2013 e Glamour Uberaba 2013. Durante o evento, que acontece na Chácara Caiçaras, no sábado, haverá a nomeação da Madrinha da Semana LGBT. Amanhã acontece a Parada Gay, com a concentração prevista para as 14h na avenida da Saudade.
Uma das surpresas nos eventos de hoje é a candidata a Miss Mirella Ferreira dos Santos, uma jovem publicitária de 22 anos, natural de Uberaba, que há cerca de dois anos iniciou um processo de transformação que mudou sua vida. Ela é a primeira uberabense a se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual ou, para os leigos, para mudança de sexo, e que se sente realizada em ver externamente o que sempre sentiu por dentro.
Embora, ao nascer, tenha recebido o nome de Felipe, Mirella conta que desde a infância sempre se sentiu mulher. “Sempre foi algo muito óbvio, porque nunca gostei de jogar bola ou brincar de carrinho e, ao contrário, era muito feminina. Até tentava me corrigir pelo fato de minha família ser evangélica, por isso sofri uma repressão muito forte desde os três anos de idade. Sempre tive consciência de que era mulher”, revela.
Ela destaca que a adolescência foi uma das fases mais difíceis, pois foi complicado se identificar como transexual. “Para mim havia apenas o homossexualismo, mas a homossexualidade não era o que eu queria, não me vestia, então procurava uma resposta. Isso me fez sofrer muito na adolescência e é realmente difícil porque as pessoas não têm instrução e esclarecimento sobre o assunto”, frisa Mirella.
Aos 14 anos, ela saiu de casa, assumiu sua nova identidade de gênero e conseguiu um emprego em um salão de beleza em Palmas (TO). Lá, Mirella conheceu a mulher do governador e a presidente do Tribunal de Justiça à época. Foi quando teve acesso às primeiras informações sobre seu direito a entrar com um pedido na Justiça para assumir o nome de sua identidade de gênero também nos documentos oficiais. “Logo depois eu comecei o processo para a cirurgia, mas o nome é realmente algo que equivale à cirurgia, porque fazer a cirurgia e ter nome masculino é muito pior e dificulta o acesso aos serviços de saúde, entre outros. Se temos deveres, temos também o direito, até porque não é uma mudança estética é para termos qualidade de vida”, declara.
Para Mirella, ainda mais que o homossexualismo, o transexualismo é um assunto que ainda precisa ser muito esclarecido, por ainda ser um ponto de interrogação para a sociedade. “É um transtorno de gênero, pois é uma mulher que nasceu com corpo de homem e vice-versa”, completa. Ao contrário do que todos sabem, existem cinco polos transexualizadores no Brasil nos estados de São Paulo, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, muitos deles com oferta de tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mirella dos Santos, por exemplo, se submeteu à cirurgia em Goiânia. “Acredito que esses centros deveriam se expandir e ser acoplados às UPAs, pelo menos uma em cada cidade, porque realmente dá o apoio necessário ao transex que não encontra ninguém. Antes da minha cirurgia, sempre procurei ajuda em instituições públicas que deveriam saber essas coisas que outros estados já faziam e nunca encontrei resposta. Aqui, no Hospital Escola, eu fui perguntar e ninguém sabia que já existe essa cirurgia no Brasil, sendo que o SUS já oferece”, completa.