Campanhas, redes sociais e idealização da vida a dois podem despertar melancolia e frustração
Para quem está solteiro, porém, a data pode despertar sentimentos como melancolia, frustração e até questionamentos sobre a própria vida afetiva (Foto/Divulgação)
Com a proximidade do Dia dos Namorados, vitrines decoradas, campanhas publicitárias e postagens nas redes sociais reforçam a ideia de celebração a dois. Para quem está solteiro, porém, a data pode despertar sentimentos como melancolia, frustração e até questionamentos sobre a própria vida afetiva. Segundo o psicólogo Sérgio Marçal, essas reações são comuns, especialmente quando há decepções amorosas recentes ou expectativas sociais não correspondidas.
Pessoas que passaram por términos amorosos recentemente tendem a sentir mais intensamente o impacto emocional da data. Isso porque o fim de um relacionamento envolve um processo semelhante ao luto, marcado por sentimentos de perda, saudade e desligamento afetivo. Em períodos como o Dia dos Namorados, quando o tema ganha ainda mais visibilidade, essas emoções podem voltar à tona com maior força. Segundo Sérgio Marçal, “a decepção amorosa não deixa de ser a vivência de um luto. Como a data destaca essa relação e as pessoas tendem a fazer postagens, quem está vivendo uma separação acaba revivendo seus processos de perda e desligamento”.
Já entre aqueles que estão solteiros há mais tempo, o desconforto costuma estar ligado à pressão social criada em torno da necessidade de estar em um relacionamento. De acordo com o psicólogo, existe uma expectativa cultural de que a felicidade esteja associada à vida a dois, o que pode provocar frustração e afetar a autoestima de quem passa a data sozinho.
Apesar disso, o especialista destaca que relacionamentos são construções e não acontecimentos imediatos ou perfeitos. Para ele, é importante que as pessoas permaneçam abertas a novas experiências e encontros, sem transformar a busca por um relacionamento em motivo de sofrimento. Além disso, ele alerta para a idealização excessiva do parceiro ideal, que muitas vezes dificulta a criação de vínculos reais e saudáveis.
Na avaliação do psicólogo, criar relações exige disposição para diálogo, concessões e amadurecimento mútuo. “A pessoa ideal não existe. O que existe é uma decisão de estar juntos, apesar das dificuldades, com disposição para ceder, crescer e construir uma relação saudável de forma equilibrada e recíproca”, afirma Sérgio Marçal.
Para atravessar a data de forma mais leve, a orientação é voltar a atenção para atividades que promovam bem-estar e satisfação pessoal, como assistir a um filme, praticar exercícios físicos, sair para caminhar ou aproveitar momentos de lazer. Segundo o especialista, o mais importante é não concentrar o olhar naquilo que está faltando, mas no que pode proporcionar conforto emocional no presente.
Por fim, o psicólogo reforça que estar solteiro não diminui o valor de ninguém e que a construção de relações afetivas acontece de maneira natural, no tempo de cada pessoa. Para ele, o Dia dos Namorados deve ser encarado apenas como uma data do calendário, sem o peso das cobranças sociais frequentemente associadas a ela.