Hoje é sexta-feira 13. Para os supersticiosos, trata-se de um dia de mau agouro e, por isso, ficam atentos a todos os passos que dão. Existem várias explicações para o fato de este dia ter passado a fazer parte das crendices populares. Na numerologia, o 13 é considerado um número irregular e a sexta-feira, por ser o dia em que Jesus foi crucificado, também é considerada sinônimo de azar. Segundo outra história, Friga, deusa do amor e da beleza, foi transformada em bruxa e, como vingança, passou a se reunir todas as sextas-feiras com outras onze bruxas e o demônio. Os treze ficavam rogando pragas aos humanos. Para evitar ainda mais azar, os supersticiosos não passam debaixo de escadas, temem quebrar espelhos e, se aparece um gato preto à sua frente, desvia o olhar. A superstição é tanta que, em diversas igrejas da cidade onde comumente acontecem casamentos, não há nenhuma cerimônia marcada para esta data. Os casais trocam a data da cerimônia religiosa para o sábado, dia 14. De acordo com o Babalorixá Carlos Costa, a sexta-feira treze é dia comum. O que existe é um mito, uma crendice criada para amedrontar as pessoas. “O azar é lento, mas, se a pessoa for bem mais lenta, o azar a alcança. O que dá azar é a preguiça, a falta de religião, a falta de Deus na vida e no coração das pessoas. Se você atrai para você a questão negativa, pensamentos negativos, você se enfeitiça e as coisas negativas podem vir a acontecer”, explica Carlos. Muitas pessoas procuram os trabalhos do Babá, neste dia, para pedir proteção. Amuletos e patuás são os pedidos mais comuns. “Os amuletos são para ser usados no dia a dia. Sempre oriento as pessoas no sentido de que essa questão da sexta-feira é influência, é uma crendice popular para amedrontar as pessoas. Na verdade, é um mito, é mais cinematrográfico que religioso, coisa que vem das bruxas européias”, finaliza. Enquanto alguns não arriscam a sorte, outros preferem apostar nela neste dia. É o caso dos aficionados por loterias. Muitos deles fazem do treze um número de sorte. “Jogadores são supersticiosos, o movimento aqui na casa lotérica aumenta. Se o prêmio tiver acumulado, a casa fica cheia de apostadores. A superstição faz com que as pessoas apostem mais”, observa o empresário Ernani Nogueira, proprietário de casa lotérica. Entre os que fazem da sexta-feira um dia de sorte, estão os vendedores de amuletos. Eles lucram com a superstição. “O movimento fica bem maior. O pessoal chega e pergunta o que é melhor para usar nesse dia, fala que precisa de proteção. Com isso, o meu lucro é maior”, ressalta a vendedora de artigos exotéricos Soraia Donofre. Segundo a vendedora, os supersticiosos procuram mais por galhos de arruda, amuletos, trevos de quatro folhas, incensos e defumadores, para os proteger e afastar os males que esse dia possa trazer. Ao contrário dos clientes, Soraia não tem essa superstição. “Acredito que isso não existe, vai muito da cabeça da pessoa, do seu pensamento. Pensar positivo faz com que tudo dê certo na vida”, finaliza. A vendedora Adriana Alves Chaves acredita que o dia de hoje pode, sim, influenciar na vida dela, por isso ela evita algumas coisas que julga dar azar. “Superstição ou não, eu evito não só hoje, sexta-feira treze, mas todos os dias do ano, algumas coisas, como passar debaixo de escadas e quebrar espelhos. Já o gato preto, não acredito que seja um bicho que possa trazer o mal; muito pelo contrário, é um animal que eu adoro”, finaliza.