CIDADE

Superlotação leva profissionais a fazer manifestação no HC

Há crianças recebendo soro nos corredores e a maioria das salas de consultório médico já foi improvisada com macas, sem qualquer conforto

Thassiana Macedo
Publicado em 09/04/2014 às 00:12Atualizado em 19/12/2022 às 08:16
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Ontem, equipe do Jornal da Manhã foi chamada por mães para verificar situação do atendimento no Hospital da Criança. No local havia pessoas na porta e, a todo o momento, chegavam mais crianças de carro ou a pé para buscar atendimento. Jane Aparecida Silva, mãe de Emmanuelly, de 2 anos, diz que desde segunda-feira (7) não consegue fazer a ficha da menina, cuja febre não cessa, pois o hospital está cheio. Em razão das reclamações, profissionais decidiram realizar manifestação na porta do hospital para pedir mais preocupação por parte do poder público.

A vice-diretora clínica do hospital, pediatra Jussara Silva Lima, recebeu o JM e abriu as portas da instituição para mostrar a situação precária em que estão sendo atendidas as crianças, mas afirma que nenhuma está deixando de ser atendida. Por volta de 16h, havia 64 fichas de crianças aguardando atendimento na mesa da médica, isto porque até as 10h um total de 97 fichas haviam sido preenchidas. “Fora os resultados de exames, cerca de 30, que são do plantão passado ou de hoje e temos de avaliar, fora as intercorrências e o acompanhamento dos pacientes internados. Cumprimos rigorosamente o contrato com a Prefeitura, estamos em dois médicos atendendo pelo SUS, só que o volume de crianças nós não conseguimos atender. A Prefeitura nos dá uma ajuda para continuarmos funcionando. Só que nós, do Hospital da Criança, não somos os responsáveis pelo atendimento secundário da população de Uberaba e dos 27 municípios da região, ou seja, de média complexidade”, afirma.

Ela esclarece que há um pacto entre o hospital e a Secretaria de Saúde para que o Hospital da Criança ajude o município nos atendimentos secundários, que não são aqueles de prevenção ou que podem ser atendidos por postos de saúde, mas os de média complexidade que são encaminhados ao hospital. No entanto, Jussara alerta que houve uma inversão de valores, pois não é isso que acontece na prática. Ela conta que tudo caiu na responsabilidade do hospital, pois as UPAs e demais unidades do município não atendem e mandam os pacientes para o hospital. “E aí os pais vêm aqui nos xingar e nos desacatar, porque é lógico que as crianças e as mães estão cansadas, mas nós também estamos, pois trabalhamos o tempo todo sob pressão”, explica.

A médica destaca que todos os 26 leitos do SUS do hospital estão lotados. A reportagem constatou que como a instituição continua recebendo pacientes, há crianças recebendo soro nos corredores e a maioria das salas de consultório médico já foi improvisada com macas, sem qualquer conforto, para se tornar leitos do hospital. A escala médica de plantões está completa, mas, segundo a vice-diretora, o hospital não é ampliado há décadas e do jeito que está não há mais condições.

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