ESCALA 6X1

Supermercados de Uberaba veem risco de alta nos preços com fim da escala 6x1

Setor supermercadista afirma que possível mudança para escala 5x2 pode aumentar custos, dificultar contratações e refletir no preço dos produtos

Débora Meira
Publicado em 17/05/2026 às 16:18
Compartilhar

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a possível adoção de novos modelos de jornada de trabalho já começa a preocupar o setor supermercadista em Uberaba. Representantes do segmento apontam dificuldades na contratação de funcionários, aumento de custos operacionais e incertezas sobre os impactos da mudança na rotina das lojas e no atendimento ao consumidor. 

A presidente da Associação dos Supermercados de Uberaba (Assuper), Juliane Foscarini, afirma que o principal desafio é manter o funcionamento dos estabelecimentos em horários considerados essenciais para a população. “A gente fica preocupado para entender como será isso, como encaixar essa escala 5 por 2 na nossa realidade aqui em Uberaba, porque está faltando funcionário. Os funcionários não querem mais trabalhar à noite, nem em feriados, nem em finais de semana, mas nós temos que manter as portas abertas, porque a população depende disso”, afirma. 

Segundo Juliane, o setor já enfrenta dificuldades para preencher vagas e teme que uma eventual redução da jornada sem redução salarial aumente ainda mais os custos das empresas. “Se tiver redução de carga horária sem redução de salário, vai ter que contratar mais gente. Com isso, aumenta a folha de pagamento. E quem vai pagar essa conta é o consumidor final, porque todos os custos vão para o preço do produto”, diz. Ela também destaca que algumas redes já adotam modelos 5×2, mas mantendo as atuais 44 horas semanais, com jornadas diárias mais longas. 

A presidente da Assuper afirma ainda que há dúvidas sobre como a legislação poderá funcionar na prática, principalmente em setores que operam diariamente. “Todo mundo fala em cinco por dois, mas na prática não é simples. A lei não fala necessariamente em sábado e domingo. Vai ser uma mudança muito difícil para as empresas. A gente ainda está estudando isso”, pontua Juliane. 

O empresário Matusalém Alves também avalia que o debate ainda carece de aprofundamento técnico e afirma que o setor defende negociações coletivas entre empregadores e trabalhadores. “Não existe um debate técnico aprofundado sobre o tema, mas sim uma narrativa muitas vezes vinculada a interesses e anseios políticos, especialmente em um ano eleitoral. O setor supermercadista acredita na livre negociação, respeitando a realidade de cada segmento e região”, afirma. 

Segundo ele, a dificuldade de contratação e retenção de trabalhadores já é uma realidade enfrentada pelas empresas. “A atual dificuldade de contratação e retenção de mão de obra está diretamente ligada ao desânimo do trabalhador em relação às políticas públicas, que muitas vezes se mostram inconsistentes e sem previsibilidade”, diz. Matusalém também afirma que o cenário econômico e o aumento do endividamento da população impactam diretamente o mercado de trabalho. 

O empresário avalia ainda que a adoção da escala 5×2 pode ampliar os desafios enfrentados pelo setor. “A adoção da escala 5 por 2 tende a agravar ainda mais a escassez de mão de obra, além de gerar um aumento de custos para as empresas superior a 20%”, afirma. Segundo ele, isso poderá refletir no preço final dos produtos. “Esse novo modelo, se implantado, pode levar a inflação para patamares indesejáveis, pois as empresas entrarão em dificuldades e possivelmente terão a necessidade de repassar parte dos custos para os produtos”, pontua. 

Matusalém acrescenta que o debate sobre qualidade de vida precisa considerar também os reflexos financeiros para os trabalhadores. “Todo cidadão busca melhores condições para si e sua família. No entanto, essa melhoria pode ser comprometida caso haja redução nos ganhos do trabalhador, dependendo da forma como essa nova escala venha a ser implementada”, diz. Ele também critica o atual modelo de benefícios sociais, afirmando que a ausência de mecanismos de transição e incentivo ao retorno ao mercado formal acaba estimulando a informalidade e dificultando a contratação. 

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por