Três servidores e um professor estão há uma semana afastados por ter sido contaminados por formaldeído, conhecido como formol. Ainda não há previsão de serem retomadas as atividades
Laboratório de Anatomia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro foi interditado devido à contaminação de técnicos. Três servidores e um professor estão há uma semana afastados por ter sido contaminados por formaldeído, conhecido como formol. Ainda não há previsão de serem retomadas as atividades. Ontem os profissionais realizaram mais um exame para analisar se houve redução no índice de formol no organismo.
A contaminação dos profissionais foi constatada por meio de exames periódicos, realizados sempre no fim do ano, e foi registrado um índice alto de formol na urina, o que gerou o afastamento dos servidores até que fosse feito um novo exame. A orientação do médico de saúde no trabalho é de que as atividades poderiam ser retomadas assim que o índice diminuísse, entretanto, o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior de Uberaba não compartilha deste posicionamento. “Não orientamos estes técnicos a voltarem ao trabalho. É preciso fazer mais exames, descobrir se houve outros problemas de saúde, pois o formol é cancerígeno e se já foi detectado na urina, pode ter gerado complicações no organismo, outra patologia desenvolvida pelo formol”, afirma a coordenadora do Sinte-Med, Simea Aparecida.
Ainda conforme a coordenadora do sindicato, a estrutura deste laboratório não é adequada. Ele existe há cerca de 60 anos e exige melhorias, que já foram reivindicadas à reitoria da universidade. “É um local pequeno diante da quantidade de alunos. Hoje são sete cursos que utilizam o laboratório. São muitos cadáveres no local e o formol fica flutuando no ambiente. Além disso, a laje é baixa, os exaustores e janelas são pequenos, não é um local preparado para ser instalado um laboratório de anatomia, os técnicos ficam expostos ao formol por oito horas diárias, e, mesmo usando máscaras e luvas, isso não garante que não haja contaminação, que pode ser pela respiração e mucosas na pele”, explica a sindicalista.
Alunos, professores e os técnicos já fizeram diversas reivindicações para melhorias do local, como a revisão do laudo de insalubridade, que pode indicar o que é necessário mudar para se tornar um local adequado. Mas, segundo Simea, a UFTM vem protelando e recentemente foi anunciado projeto para construção de outro laboratório, mas sem data definida.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o formol ou formaldeído é tóxico se ingerido, inalado ou se tiver contato com a pele e é considerado cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (Iarc) desde junho de 2004. Os tipos de câncer associados à substância são os de nasofaringe, nasossinusal e leucemia.
O fato também gera preocupação nos alunos, pois, além de frequentarem o laboratório e poderem estar também contaminados, a interdição da unidade causa atraso nas atividades do curso. Muitos estão em período de provas finais e precisam do laboratório para os exames, por isso questionam a universidade sobre qual medida será adotada.