Especialista reforça que imunização reduz risco de casos graves, internações e mortes
Com a chegada das primeiras ondas de frio em 2026, médicos acendem o alerta para o aumento na circulação de vírus respiratórios e para os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em entrevista ao programa Pingo do J, a infectologista Daniele Maciel destacou que o cenário já preocupa em todo o país, principalmente devido ao avanço da Influenza, atualmente o principal vírus em circulação.
Segundo a especialista, além da gripe, também há aumento nos casos provocados por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e COVID-19. Ela explicou que a queda das temperaturas favorece a disseminação dessas doenças, já que os vírus respiratórios sobrevivem por mais tempo em ambientes frios e fechados. “A gente já vinha observando uma circulação intensa de vírus respiratórios antes mesmo da chegada do frio. Agora, com as temperaturas mais baixas, isso tende a aumentar”, afirma.
A infectologista reforçou que a vacinação segue sendo a principal forma de prevenção contra quadros graves, internações e mortes causadas pela influenza e pela COVID-19, especialmente entre idosos, crianças pequenas e pessoas com comorbidades.
Daniele também chamou atenção para um erro comum da população: acreditar que a proteção da vacina é imediata. Conforme explicou, o organismo pode levar de duas a seis semanas para desenvolver imunidade após a aplicação. “Muita gente deixa para vacinar só quando os casos começam a aparecer. Aí não dá tempo da vacina fazer efeito antes da exposição ao vírus”, alerta.
Ela ainda esclareceu que reações leves após a vacinação podem ocorrer, como dor no local da aplicação e mal-estar passageiro, mas ressaltou que os sintomas costumam ser muito menores do que os provocados pela própria doença.
A infectologista destacou ainda que a influenza não deve ser encarada como uma simples gripe. Segundo ela, o vírus pode causar complicações graves, como pneumonia, insuficiência renal, miocardite e agravamento de doenças preexistentes. “O diabético descompensa, o cardiopata descompensa, o paciente renal pode piorar. Às vezes, a gripe acaba desencadeando um quadro muito grave”, explica.
A médica também orientou a população sobre medidas básicas de prevenção, como higienização frequente das mãos, uso de máscara ao apresentar sintomas respiratórios e evitar contato próximo com outras pessoas durante o período de transmissão.
Além disso, ela reforçou que hábitos saudáveis, como boa alimentação, atividade física e sono adequado, ajudam no fortalecimento do sistema imunológico, mas alertou que suplementos vitamínicos não substituem a prevenção e não têm efeito imediato durante uma infecção já instalada.
A infectologista ainda demonstrou preocupação com a queda na cobertura vacinal nos últimos anos, impulsionada por movimentos antivacina. Segundo ela, a baixa adesão já contribui para o retorno de doenças que estavam controladas, como sarampo e febre amarela. “A vacina foi fundamental para a história da humanidade. A gente não pode esquecer disso”, finaliza.