Homem foi levado à Unidade de Pronto-Atendimento por unidade do Samu na quarta-feira e aguardou vaga de UTI no Hospital de Clínicas até o início da tarde de ontem
Espera por leito de UTI no Hospital de Clínicas causou desespero em família. O trabalhador rural Laércio dos Reis Costa, 59 anos, chegou à Unidade de Pronto-Atendimento do bairro São Benedito, por meio do Samu, em situação grave e com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC). Ele devia ser transferido com urgência para um hospital que tivesse atendimento com UTI. Entretanto, houve demora no procedimento e a família ficou desesperada, pois os médicos afirmaram que ele corria risco de morrer.
O filho de Laércio, o auxiliar de depósito Marco Antônio Gonçalves Nogueira, acompanhou todo o procedimento na UPA. Segundo ele, tudo começou quando o pai acordou na quarta-feira com fortes dores, devido à pressão arterial estar alta. “Os médicos foram acionados e encontraram com meu pai no meio do caminho, pois ele estava sendo levado pelos patrões até o hospital. Assim que chegou à UPA, o sedaram e colocaram-no no oxigênio, aguardando a transferência. Não era possível fazer mais nada, somente um hospital especializado com UTI”, explica Marco.
A revolta de toda família foi por conta da demora e a falta de explicações. Há todo momento questionavam os atendentes sobre quando a transferência iria acontecer, mas não diziam nada, apenas que era preciso esperar. “Sei que em alguns casos é possível esperar, mas o do meu pai não, ele pode piorar. O próprio médico disse isso, fico impressionado com essa demora”, afirma.
A irmã de Laércio, a costureira Zilma Aparecida Costa, também estava bastante indignada na manhã desta quinta-feira. “Desse jeito meu irmão vai morrer sem ao menos conseguir se tratar. É um caso urgente, ele teve AVC e não é possível fazer nada porque não tem vaga na UTI do Hospital de Clínicas”, explica Zilma, ressaltando que os atendentes da UPA tentaram a transferência para o Hospital Universitário, mas não foi possível.